MIA COUTO,ESCRITOR HONORIS CAUSA EM MOÇAMBIQUE: “O POVO NÃO É CARNE PARA CANHÃO” por Clara Castilho

Esta foi uma das afirmações de Mia Couto, ao discursar na cerimónia de atribuição do título de Doutor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade APolitécnica.

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“Quem quiser fazer política que faça política, mas que não aponte uma arma contra o futuro dos nossos filhos”, pediu o escritor, lembrando que o povo não pode ser usado como “carne para canhão” e que “os donos das armas precisam perceber que nós merecemos todo respeito e merecemos viver sem medo”.

“Todos os povos amam a Paz. Os que passaram por uma guerra sabem que não existe valor mais precioso. Sabem que a Paz é um outro nome da própria Vida. Vivemos desde há meses sob a permanente ameaça do regresso à guerra. Os que assim ameaçam devem saber que aquele que está a ser ameaçado não é apenas um governo. O ameaçado é todo um povo, toda uma nação.”

Fê-lo perante o Presidente da República Filipe Nyusi e o antigo Chefe de Estado Joaquim Chissano que estiveram presentes na cerimónia.

Realçando que o papel da literatura é manter vivo o sonho do povo, assegurando que a paz prevaleça em Moçambique (“A literatura deve assegurar que o país respire em paz e possa sonhar”), também alertou para o facto de a guerra não permitir que o povo sonhe.

Segundo a Universidade A Politécnica, a distinção a Mia Couto deve-se ao seu domínio dos géneros literários e ao reconhecimento internacional como um autor que exalta os valores moçambicanos.

Mia Couto nasceu a 5 de Julho de 1955 na cidade da Beira. É escritor desde 1983 e já escreveu 26 obras. É vencedor do Prémio Camões e o Prémio Internacional Neudstat em Literatura.

Pode ler toda a intervenção em :

http://www.folhademaputo.co.mz/pt/noticias/nacional/aula-de-mia-couto-durante-a-cerimonia-doutor-honoris-causa-completa/

 

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