Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Retoma económica? Porque continuam os maus resultados na União Europeia
John Weeks
Antes da publicação das estatísticas de crescimento em meados de Agosto houve uma expectativa generalizada de que pelo menos se poderia esperar uma recuperação sustentada da zona do euro. Contudo, os números mostraram um resultado já familiar a todos os que sofrem por toda a Europa pela necessidade de mudança. – ” nós lamentamos que este serviço esteja desligado “. Isto está longe de ser o primeiro desapontamento e as perspectivas de melhoria no futuro próximo não são robustas.
Um olhar sobre o desempenho do corno as maiores economias da zona euro, a francesa, alemã, italiana e espanhola, têm evoluído sugerem que a retoma pode estar em processo. Uma análise mais detalhada coloca esta interpretação das estatísticas em dúvida. A economia alemã mostra a recuperação mais forte, e esta dificilmente merece ser classificada com este adjectivo.
Tal como para a economia francesa, o PIB alemão voltou aos níveis de pico de pré-crise no primeiro trimestre de 2011. Quatro anos mais tarde e um trimestre mais tarde (2015-2º trimestre) houve um aumento de cinco pontos percentuais. Esta taxa de crescimento anualizada de 1,1% assemelha-se mais a “estagnação” do que a retoma económica. E este é o melhor desempenho para as quatro economias. A economia francesa retornou ao seu valor de pico tão rapidamente quanto a economia alemã , apesar de uma contracção menos severa. Nos anos subsequentes quatro anos em taxa anualizada o crescimento anualizado foi de uma microscópica taxa de 0,5%.
Muito tem sido escrito sobre a alegada recuperação da economia espanhola, e “alegada” é a palavra correcta a ser utilizada. A avaliação mais favorável do desempenho económico espanhol resulta da comparação do seu valor mais baixo (Q2 de 2011) para as últimas estatísticas (2015 Q2), o que dá uma respeitável taxa anualizada de 2,1% . Menos lisonjeiro é sublinhado pelas últimas estatísticas de que o PIB espanhol continua a estar 4% abaixo do seu valor de pico, que é o mesmo que há quatro anos atrás (2011 Q1).
No caso da Itália nem mesmo Cândido teria aqui encontrado sinais de retoma. No segundo trimestre deste ano o PIB italiano permaneceu estagnado em 9,1% abaixo do seu valor de pico e um magro 0,5% acima três trimestres antes . A simples realidade é que pelo menos nos últimos quatro anos, os principais países da zona euro terão estado em estagnação.
Em comparação a recuperação muito lenta da economia do Reino Unido parece ser impressionante, agora como a economia da Alemanha com 5% acima do seu nível de pico em 2008. Tal como para a Alemanha, este modesto aumento não deve impressionar ninguém, implicando desde meados de 2010 (quando a coligação dominada pelos conservadores chegou ao poder) um lento crescimento anualizado lento de 1,8%. Nos Estados Unidos para o mesmo período verificou-se um aumento de 9% em relação ao seu valor de pico em 2008 o que representa o primeiro lugar contra uma concorrência muito fraca.
GDP of the 4 largest euro zone countries, UK & USA percentage point differences from 1st Quarter 2008
source: OECD



