
Tu és a esperança, a madrugada
Poema de Eugénio de Andrade (in “As Mãos e os Frutos”, Lisboa: Portugália Editora, 1948 – p. 46-47; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 30-31)
Recitado por José Manuel Mendes* (in Livro/2CD “Ao Longe os Barcos de Flores: Poesia Portuguesa do Século XX”: CD2, col. Sons, Assírio & Alvim, 2004)
Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.
Para ti criei palavras sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.
Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.
* Selecção de poemas e direcção de actores – Gastão Cruz
Coordenação editorial – Teresa Belo
Gravado e masterizado por Artur David e João Gomes, no Estúdio Praça das Flores, Lisboa, em Outubro de 2004
Supervisão de gravação – Vasco Pimentel
Tu és a esperança, a madrugada
Poema: Eugénio de Andrade (in “As Mãos e os Frutos”, Lisboa: Portugália Editora, 1948 – p. 46-47; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 30-31)
Música: Fernando Lopes-Graça (ciclo “As Mãos e os Frutos”, 1959)
Intérpretes: João Rodrigues & Nuno Vieira de Almeida* (in CD “Fernando Lopes-Graça: Clepsidra; As Mãos e os Frutos; 3 Canções de Fernando Pessoa”, Tradisom, 2009)
Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.
Para ti criei palavras sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.
Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.
