Salta à vista: a senhora directora-adjunta da TVI não gosta do senhor secretário-geral do PCP.
Tal foi evidente durante a entrevista que aquele canal transmitiu há dias.
A senhora directora-adjunta da TVI fez esgares, esboçou sorrisos, interrompeu e, numa ou outra vez, até quis formatar as respostas do entrevistado.
O secretário-geral do PCP, homem formado pela universidade da vida e forjado pelas lutas que há muito protagoniza, passou sempre por cima das intromissões e provocações. E respondeu-lhe com a serenidade que se lhe (re)conhece.
Uma serenidade que assenta numa sólida formação ideológica e no conhecimento real dos problemas que afectam as pessoas de um país que ele calcorreia semana após semana e não apenas quando há eleições.
Este não gostar do secretário-geral do PC da senhora directora-adjunta da TVI não é de agora. Creio mesmo que é de sempre, pois sempre que a senhora se cruza com o dirigente comunista trata-o por “sr. Jerónimo de Sousa”. Ou:
– Senhor Jerónimo.
Como foi o caso nesta entrevista que aqui reporto.
O secretário-geral do PC é operário, mais concretamente afinador de máquinas, nunca o negou e orgulha-se disso, logo não tem o penduricalho de “dr” ou “engº” a antecipar o seu nome de baptismo.
Mas é uma figura pública, e segundo a própria escolha da Redacção da TVI um dos “30 poderosos do país”, logo será natural tratá-lo por “Jerónimo de Sousa”.
Ou mais solenemente:
– Senhor deputado Jerónimo de Sousa.
Um deputado que esteve na Assembleia Constituinte e que é, como lembrou há dias o prof. Marcelo, amigo do peito da senhora directora-adjunta da TVI, credor do respeito dos seus adversários ideológicos e políticos.



Bem observado. Educação também faz falta.