A falta de clérigos sacerdotes, dispostos a paroquiar – uma função, felizmente, em vias de extinção e que vem já dos tempos do império romano-cristão, tal como a função dos bispos residenciais – levou o actual Bispo do Porto, D. António Francisco, o tal que desistiu de Aveiro, mal lhe apontaram a diocese portuense, a nomear pároco de Lobão, o, até há pouco tempo, pároco de Sandim, em V.N. Gaia. Deste modo, o pároco de Sandim, Pe. Baptista, exímio caçador de coelhos e perdizes e de outras coisas mais, todas, por sinal, muito pouco ou nada presbiterais, nos idos em que a idade ainda lho permitia, regressa, assim, à sua terra natal, não para descansar e preparar a sua páscoa definitiva, como seria expectável, mas para continuar a paroquiar. Aos 82 anos de idade, ainda se vê nomeado pároco da sua terra-paróquia natal. O que, só por si, justifica a pergunta, em título, Para onde vai a igreja católica no Ocidente, no caso, a igreja católica no Porto?
A vaga criada pela inesperada saída do conhecido pároco de Lobão, Pe. Domingos Sá, nomeado pelo bispo para outra paróquia da diocese do Porto, por sinal, bastante distante de Lobão, é assim preeenchida pelo Pe. António Baptista que, muito legitimamente, aspiraria a um período de descanso, na sua casa plantada na terra onde nasceu. A auxiliá-lo, foi nomeado outro padre mais novo em idade, mas bastante incapacitado por doença. São dois a fazer a função de um, mas se um deles pode muito pouco, o outro pode ainda muito menos.
Sob o domínio-jugo católico romano, as populações são propositadamente mantidas no infantil eclesial, e só isso explica que elas aceitem tudo o que o bispo decidir, sem este nunca se dar sequer ao trabalho de as consultar previamente. Consequentemente, as populações não são nunca minimamente capazes, por si sós, de se assumir como Igreja, a daqueles dois ou três de que fala Jesus Nazaré. Pior. No infantil entender das populações, nem sequer há igreja sem um clérigo a mandar, nomeado e enviado pelo bispo da diocese, com plenos poderes sobre elas, nem que o clérigo sacerdote nomeado venha a revelar-se, depois, um mercenário no meio delas, mais do que um animador maiêutico.
É uma dor de alma constatar que o mesmo bispo que, aos 75 anos de idade, tem de apresentar o seu pedido de renúncia ao sucessor do imperador Constantino, em Roma, nesta ocasião, o papa Francisco, em lugar de ser o primeiro a recomendar a um pároco de 82 anos que entre em descanso e em recolhimento interior, indispensáveis para uma grande auto-análise do que foram tantos anos de clérigo sacerdote, quando deveriam ter sido anos de um ser humano entre e com os demais, ainda tenha o desplante de o nomear pároco. Dói ver um proceder eclesiástico destes. Pelo pároco em questão, antes de mais. Também pelas populações que “fazem” a paróquia, no caso, a de Lobão, concelho de Santa Maria da Feira. Estamos perante pessoas humanas que deveriam merecer outro tipo de tratamento pastoral. Com este modo de proceder, nem o bispo titular é bispo da Igreja-movimento de Jesus, nem a diocese é Igreja-movimento de Jesus. Semelhante proceder é típico do sistema eclesiástico e, neste domínio, quanto mais desumanos os comportamentos, melhor. Mais agradam ao deus todo-poderoso do sistema. O mesmo do Credo que todos os domingos as populações repetem mecanicamente, na missa, logo a seguir à prédica do clérigo sacerdote presidente.
Séculos e séculos de clérigos sacerdotes à frente de paróquias, em lugar de presbíteros da igreja-movimento de Jesus ao servço maiêutico da humanidade, geram populações criminosamente infantilizadas, dependentes, analfabetas em teologia, possessas de ancestrais medos, de devoções, assíduas frequentadoras de ritos, nenhuma espiritualidade, estéreis q.b., nenhuma fecundidade. São, infelizmente, assim, as populações das nossas aldeias, vilas e cidades que têm nascido, vivido, morrido à sombra do campanário, da cruz, obedientes ao toque do sino, obrigadas, sob pena de pecado e consequente castigo no inferno, a frequentar igrejas paroquiais carregadas de altares, em honra de imagens de santas, santos, nossas senhoras disto e daquilo, com zeladoras por conta, mulheres estéreis e beatas, sempre disponíveis para infernizar a vida de um padre pároco que, embora nomeado pároco, depois se esforce, no terreno, por ser mais presbítero do que sacerdote, mais ser humano irmão dos demais do que clérigo com poder. E, para cúmulo, quase sempre levam a delas àvante, já que o bispo residencial, com tudo de sumo-sacerdote todo-poderoso ao serviço da Cúria romana, incapaz, por isso, de saber sequer o que é ser bispo da Igreja-movimento de Jesus ao serviço da humanidade, é o primeiro a “emprenhar” pelos ouvidos e junta-se a elas contra esses seus presbíteros ordenados.
Está, por isso, cada vez mais de rastos a igreja católica romana nos países da Europa, do Ocidente, no nosso país, no Porto. Não, obviamente, a Igreja-movimento de Jesus, intrinsecamente clandestina. Esta, porque pequena e invisível-visível como o Vento, a Ruah, é intrinsecamente fecunda e está aí bem activa, juntamente com Jesus Nazaré, como a luz do mundo, o sal da terra, o fermento na massa. Surpreendentemente, é graças a ela, que a humanidade é um permanente hoje sem ocaso, ainda que no meio de muitas dores, todas de parto, por isso, fecundas. É esta Igreja outra que que eu, presbítero da Igreja-movimento de Jesus, canto e que procuro ser, respirar, praticar, testemunhar, fazer acontecer no mundo, sem que o sistema eclesiástico jamais saiba como. Porque é cego, guia cego e esta condenado a desaparecer.