A campanha eleitoral parece ter sido organizada de molde a ter os seus pontos fortes nos debates televisivos. É conhecido o papel importante que a televisão tem na vida das pessoas. Assim, por um lado, ter-se-á pretendido que a discussão fosse presenciada pelo maior número possível de pessoas. Mas também há que fazer o reparo que, à partida, a discussão foi limitada aos chefes dos partidos com assento parlamentar. Tal terá sido acordado num encontro entre os directores da RTP, SIC e TVI (vejam o link abaixo), que também terão acordado o mapa dos debates.
Diversas observações se devem fazer a este estado a coisas. Com certeza que os promotores e os participantes deste ciclo de debates acreditam na utilidade do que estão a fazer. Mas então há apontar as falhas no sistema instituído. Para além de outros problemas mais genéricos, há a assinalar a exclusão dos partidos sem assento parlamentar e de outras forças representativas da sociedade. Apesar do grande número de entrevistas que têm sido feitas a líderes e representantes dos últimos, é incontestável que lhes foi imposto um estatuto de segunda linha que é, mesmo num rígido sistema de democracia representativa, com poucas e pouco significativas excepções, aquele em que vivemos, uma falha grave.
Outra observação é a de que o ciclo foi organizado de modo a ter um ponto alto, o “choque” (perdoem a imagem bélica) entre Passos e Costa. Entre anúncios de que iria condicionar as eleições de modo decisivo, este confronto, que decorreu entre acusações de colagens à troika e ao Syriza, de tramas sobre a segurança social, teve como grande figura um não-presente, José Sócrates. Vê-se assim a pobreza da vida política nacional, e o pouco respeito que há pela inteligência dos cidadãos. Agravam ainda este panorama a fraqueza dos comentadores seleccionados para os comentários no rescaldo. Pouco consola haver a noção de que muito pouca gente os ouve.
http://www.legislativas2015.pt/2015/08/03/como-vao-ser-os-debates-na-tv/

