Foi há 125 anos – Nasceu Agatha Christie – por Carlos Loures

 

 

Agatha Christie nasceu em 15 de Setembro de 1890. Tinha trinta anos quando conseguiu publicar o seu livro de estreia, O Misterioso caso de Styles (The Mysterious Affair at Styles,1921). 55 anos depois escreveu o último Cai o pano (Curtain). Pelo meio ficam dezenas de obras-primas. Entre esses 78 romances do meio, há dois que prefiro – Morte no Nilo (Death on the Nile ,1937) e O Crime no Expresso Oriente (Murder on the Orient Express, 1934). Numa viagem ao Egipto fiz um cruzeiro tendo oportunidade de percorrer os cenários do livro e do filme que em 1978 – Morte no Nilo, realizado por John Guillermin com Peter Ustinov, David Niven, Mia Farrow e Bette Davis.

Escreveu uma das grandes obras da literatura dita policial e, ainda que não rompendo com a matriz sherlockiana,  impôs  um novo paradigma de detective privado. O seu Hércule Poirot e a sua Miss Marple – investigadores perspicazes, que vão registando pequenos pormenores e, geralmente no último capítulo, tudo desvendam deixando-nos de boca aberta, pois o assassino é sempre a menos suspeita das personagens. A autora faz sempre questão de proporcionar ao leitor todos os elementos necessários à decifração do enigma, embora o faça de uma forma muito discreta, melhor, de uma forma que passe despercebida. Poirot, tal como Sherlock Holmes, tem um assistente – o capitão Arthur Hastings cumpre função similar à do Doutor Watson, que afinal é a de ser embaixador do público, reproduzindo dúvidas e perplexidades dos seres comuns que não dispõem da capacidade dedutiva de Sherlock nem as «celulazinhas cinzentas» de Poirot.

De notar que, comparando datas, Agatha Christie foi contemporânea de Dashiel Hammett e de Raymond Chandler, tendo-lhes sobrevivido. Não escondo que prefiro estes autores, pois criaram obras mais pequenas, mas literariamente mais consistentes. E não se pode falar de épocas diferentes, mas de opções diferentes – a escritora inglesa optou por seguir a linha sherlockiana. Fê-lo de uma forma magistral e com um êxito fabuloso – nas diferentes línguas em que os seus 80 livros foram publicados, o número de cópias atinge os quatro mil milhões de exemplares. Este número apenas é ultrapassado pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare.

Uma grande escritora e uma obra   grande. Em todos os sentidos.

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