(continuação)
…
A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
…
Mas malucos mesmo, malucos por música de qualidade, foram aqueles três personagens inefáveis que se responsabilizaram por boa parte do melhor som produzido no Rio dos anos 1990 – o trio formado pela bateria de Afonso Vieira, o piano de Chiquinho Neto, um dos melhores instrumentistas da noite carioca, e o baixo (e a voz) do saudoso Manuel Gusmão, o baixista nº 1 da bossa nova, desde que se abriram os clubes do Beco das Garrafas, além de fundador do famoso Copa Trio. Pois foi esse o Trio que sugeri à pianista clássica Lilian Barretto para incluir em seu Projeto “Música da América”, que aconteceu no CCBB-Rio em 1992.
Nanã, em parceria com Moacir Santos: “Nesta noite nos delírios meus/ Vi nascer um novo amanhã/ Veio o dia com um novo sol/ Sol da luz que vem de Nanã”. Afonsinho e eu nos encontrávamos às vezes com o Mário na Copacabana dos anos 1990, em longos papos que começavam no Bar El Cid, na Rua Viveiros de Castro, e se estendiam Barata Ribeiro e noite afora até as proximidades de seu apartamento na esquina da Rua Paula Freitas. Numa dessas noites, Mário me presenteou com um de seus cds onde canta várias canções de Baden Powell com Vinicius e duas de sua parceria com Baden (Aurora de Amor e Tristeza vai embora), além de Nanã. E nessas e em outras ocasiões Mário (morto em 2001, mais um ”saudoso”) sempre dizia pro Afonsinho como sua irmã falava bem dele e de sua bateria.