DEBAIXO DE FOGO, DEBAIXO DA VIOLÊNCIA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Debaixo de fogo, debaixo de violência.

E novamente me vem à memória o menino do Mundo que morreu no mar porque os pais fugiam da guerra, da fome, dos escombros….porque os pais QUEREM um mundo melhor.

O sofrimento destas mulheres, destes homens e destas criança não é compreendido, nem sentido pelos senhores dos governos. Governos há que vendem armas e acolhem as vítimas dessas mesmas armas.

Fazem reuniões para decidir como a Europa os pode acolher, mas vergonhosamente não chegam a nenhuma conclusão e ainda têm o despudor de adiar, por quinze dias, uma outra reunião, com gente que sabe de números, mas não dos Direitos Humanos.

Os governantes passam e deles pouco ou nada fica na memória, mas na memória da mãe que pede a um soldado para ficar com a filha,  para que a criança passe o novo “muro da vergonha” para viver num país em que não haja guerra, dispondo-se, ela própria, a desistir da Europa ,voltando para a Síria, fica a dor imensa de se separar da filha.

Na memória desta mãe não são as imagens que ficam é o sentimento.

Na nossa memória ficará para sempre essa imagem.

O Menino do Mundo mostra a brutalidade da guerra.

É preciso começar a falar do stresse pós traumático dos meninos e das meninas que irão sobreviver a esta vergonhosa guerra, dos adultos que vêem morrer os filhos, que se  separam deles, e que, muitas vezes, os perdem na caminhada…

A Europa não será mais a mesma, a Europa fica com a responsabilidade de saber acolher estes refugiados.

A fuga, a morte, o abuso sexual, o barrulho das armas e das casa a caírem aos bocados, os gritos aflitos das pessoas, as correrias para encontrarem um sítio seguro, são companheiros inseparáveis das crianças que vivem dentro da guerra.

São milhões de crianças espalhadas pelo mundo a viverem um sofrimento maior que os seus frágeis corpos de menino.

O que se passará no intimo de cada uma destas crianças? Como vão crescer com estas recordações? Que adultos serão? Em que valores vão acreditar?

Também os meninos e as meninas que não estando debaixo de fogo, no verdadeiro sentido das palavras, mas dentro da violência que vivem em casa, da  fome, do abuso sexual… crescem com a memória cheia de violência contra eles.

Que adultos serão? Que valores vão defender?

Que regime político governará a Europa?

 

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