O MITO DO DILÚVIO – por MANUEL SIMÕES

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Então disse Deus a Noé: o fim de toda a carne

                                                                                     é vindo perante a minha face; porque a terra

                                                                                     está cheia de violência.

(Génesis, 6, 13)
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Obra O Dilúvio, Capela Sistina, de Michelangelo Buonarroti.

 

Destruir para tudo recomeçar foi o modelo primigénio que o Homem, na sua intolerável estultícia, ainda não aprendeu a sublimar. E, no entanto, se o artifício da Arca teve origem na violência do mundo, tudo podia ter acabado nesse preciso momento, até porque as gerações futuras só recuperaram o ciclo da desarmonia, inspiradas que foram pela bíblica confusão das línguas ou caos instituído.

Nem se percebe o porquê de tanta piedade conferida a tantos e tantos amadores da violência do após-dilúvio; e a radical maldição sobre os que viveram antes.

Deus devia saber que, na Arca, acabaria por germinar a semente do mal; e que os que quis salvar traziam no sangue a sede do ódio, da dor infinita que se sedimentou ao longo dos tempos: corpo de fragmentos que tem simultaneamente a sugestão do mito e da História, o fascínio da génese e da catástrofe.

 

O Mito do Dilúvio já tinha sido publicado no Estrolabio, no VerbArte, em 22 de Março de 2011. Vejam em:

http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1180771.html

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