Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
2. As migrações em massa são a guerra
Yves-Marie Laulan, LES MIGRATIONS (DE MASSE), C’EST LA GUERRE.
Revista Metamag, 16 de Setembro de 2015
(conclusão)
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A solução impõe-se por si mesmo
Esta resulta de uma tripla proibição que deverá ser levantada contra os candidatos à emigração: é necessário impedi-los de partir, é necessário impedi-los de transitar, é necessário impedi-los de entrar. Poder-se-ia acrescentar um quarto ponto que se acabará por impor mais cedo ou mais tarde . Será necessário repatriar de vontade à força aqueles que mesmo assim terá tido sucesso em passarem através das malhas da rede assim criada.
A emoção passional é má conselheira em política. É o caso de Angela Merkel que no entanto se teria acreditado ser mais controlada e senhora de própria. Assim imprudentemente foi ela que se lançou nesta aventura com a promessa louca que a Alemanha poderia acolher até 800.000 refugiados. Porque não então vários milhões, se é só fazer . É verdadeiro que as mulheres alemãs deixaram de engravidar e terem filhos desde há várias décadas, é certo que a Alemanha acusa um défice de população que se calcula em milhões. Mas daí a querer compensá-lo por uma imigração maciça de migrantes adultos, falando unicamente árabe, de confissão muçulmana e desprovidos de qualquer formação profissional, há uma alinha que Angela Merkel alegremente ultrapassou .
Mas a sanção não demorou a aparecer com a recusa da Baviera de se comprometer sobre estas propostas imprudentes, que ameaçam perigosamente a coesão da coligação governamental, e esta condiciona a manutenção no poder da Chanceler alemã. É aqui que se vêem claramente as repercussões imediatas da crise dos migrantes sobre a política interna dos Estados. E isto não é tudo. Aí está portanto o que é estar a governar ao sabor das sondagens e dos movimentos de humor dos meios de comunicação social. Ter-se-ia dado crédito a mais quanto à maturidade política de Angéla Merkel.
A generosidade é quase sempre filha da cegueira e da precipitação. Sobre o plano europeu um pouco mais de bom senso veio dos membros da União Europeia do Norte e do Leste, a Polónia, a República Checa, a Hungria, a Eslováquia e a Dinamarca também. Estes países que desde há muito tempo viveram sob o jugo soviético, que sabem muito bem o que significam as deslocações de populações feitas sob a base do constrangimento. Não é necessário contar-lhes. Duramente marcados na sua história, pura e simplesmente recusaram empenhar-se de cabeça baixa no absurdo político de quotas que foi o preconizado na Comissão europeia.
Mas de resto que ideia estúpida – o termo é pobre – teve a Comissão europeia, de ideias bem curtas, que ideia é esta de querer propor, ou mesmo forçar – e através de que meios e em nome de que legitimidade política- os Estados membros da União europeia de acolher neles vários milhares de migrantes vindos do outro lado do mundo. Este modo obtuso de distribuição contabilística teria tido por objecto repartir a carga da imigração em massa, da mesma forma como se diluem produtos perigosos sobre o maior volume de água possível para reduzir a sua nocividade.
E isso sem estar a distinguir um segundo que seja a consequência imediata desta proposta: uma fantástica medida que, de imediato, vai desmedidamente fazer aumentar a procura migratória. Certamente, dado que os candidatos à grande viagem estão certos de serem acolhidos bem confortavelmente desde a sua chegada à estação.
É de resto a ocasião de constatar o tipo de personagens irrisórias que foram postas à frente das instâncias europeias. Estes contabilistas patéticos querem tratar deos grandes problemas geopolíticos como têm estado habituados a fazer através “de directivas” sobre a composição dos queijos vendidos na comunidade europeia ou sobre o raio das rodas das bicicletas. É necessário saber estar mas no seu domínio de competência. Porque a demografia e a geopolítica são pura e simplesmente dinamite política.
E eis que as Nações Unidas com o Serviço para os Refugiados, se colocam por seu lado na situação. Luxuosamente instalados nos seus escritórios climatizados, altamente bem pagos e isentos de impostos, estão evidentemente bem colocados para darem lições de moral aos povos europeus. Como desculpas, é necessário saber que são pagos para isso. É a sua função, afinal. Mas estes iriam estimular a xenofobia nos nossos países, sobretudo isto.
Com efeito, abram-se bem os olhos. A Europa, os seus governos e as instituições que estes criaram estão tragicamente inadaptados para tratar da situação com a qual estão confrontados.
Sob pena de catástrofe irreparável, esta situação apela a uma reflexão nova, uma política nova, dos instrumentos novos e provavelmente novos políticos para a enfrentarem. Caso contrário será inevitavelmente o caos e, por detrás disto está o recurso a governos autoritários que conduzem na urgência as políticas de sobrevivência.
Porque estes migrantes que chegam em massa não conhecem nem a língua, nem as leis, nem os costumes dos países onde pretendem estabelecer-se. Aspiram a uma vida melhor. Mas trazem com eles por contrapartida a promessa de mais défice, de mais desemprego, com, além disso, o Islão, o islamismo e a promessa de um terrorismo num futuro próximo.
Se esta situação persistir, e isto é o mais provável, tudo o que desta situação se pode é, numa primeira fase, o caos, seguidamente, numa segunda fase, o recurso inevitável à políticas repressivas, necessariamente liberticidas, como o teria dito o inefável Badinter no seu tempo, destinadas a restabelecer e a preservar na medida do possível a ordem pública.
A situação geopolítica inédita, sem precedentes na história do mundo, com a qual nos confrontamos hoje apela à uma revisão altamente incómoda das regras e das leis produzidas nestes últimos 30 a 40 anos na Europa num contexto totalmente diferente. Estas leis estão hoje inadaptadas e é necessário elaborar outras.
A primeira grande tarefa de mudança diz respeito à livre circulação no espaço de Schengen. Este tinha sido concebido para facilitar a circulação de um punhado de turistas indolentes e pouco dispostos a gastar alguns minutos do seu precioso tempo num controlo transfronteiriço ou de um punhado de transportadores preocupados de melhorar a sua rentabilidade fazendo a poupança de menos uma paragem na fronteira. O que facilitou amplamente os tráfegos de todo o tipo como o tráfico sobre as armas, a droga, a prostituição e outros delitos
É necessário restabelecer os controlos às fronteiras como de resto é feito para o transporte aéreo ao embarcar nos aeroportos a fim de prevenir o terrorismo aéreo. Estes controlos são exigentes, dispendiosos, fastidiosos, mas necessários ou até mesmo são indispensáveis. As vagas humanas ligadas à emigração de massa poderão ser contidas apenas com a supressão de Schengen e com o restabelecimento de controlos rigoroso nas fronteiras. É necessário restabelecer a sacralização do território nacional.
Mas isto não é todo. É também dentro do território nacional que será necessário agir, com controlos de identidade tão frequentes e rigorosos quanto necessários. Na sua falta , as nossas fronteiras serão transformadas em coadores sem rede. E os migrantes, uma vez passados, perder-se-ão na multidão como um peixe na água.
Mas será necessário ir mais longe ainda. Porque o que está em causa é muito simplesmente a coesão interna, sempre frágil, das nossas sociedades fundadas sobre as regras de direito laboriosamente elaboradas desde há 30 a 40 anos. Na realidade, o cataclismo migratório actual faz balouçar perigosamente o edifício institucional edificado durante este período. Esta época tereminou. A nova situação nova, novas regras.
É necessário pois, pura e simplesmente, colocar um termo à ideia de agrupamento familiar, suprimir o direito de asilo e as suas ramificações múltiplas, revogar o tratado de Schengen, restabelecer as fronteiras e pôr em marcha, custe o que custar, as reconduções na fronteira dos migrantes ilegais. Será necessário sem dúvida também exercer um certo controlo sobre os meios de comunicação social a fim de limitar a sua faculdade de jogar impunemente a carta do humanitarismo a qualquer preço, sem estar a sofrer as consequências.
E se necessário deve-se mesmo recorrer à força e tanto quanto necessário. É o preço da nossa sobrevivência.
Yves-Marie Laulan*, Revista Metamag, 16 de Setembro de 2015, LES MIGRATIONS (DE MASSE), C’EST LA GUERRE. Texto disponível em :
http://www.metamag.fr/metamag-3189-LES-MIGRATIONS-(DE-MASSE)-C%E2%80%99EST-LA-GUERRE-%E2%80%A6.html
*Président de l’Institut de Géopolitique des Populations

