Era uma vez uma manta feita aos quadradinhos, círculos, pentágonos….todos diferentes, mas com alguns diferentes iguais. Esta manta era muito colorida, era o orgulho da Natureza.
Um dia, um diferente pensou que não precisava de estar sempre ao pé dos seus iguais e então saltou para outro quadradinho. Lá, viu o que não sabia existir, lá leu o que não sabia escrever. Regressou ao seu pedacinho da manta, mas este pedacinho tinha-se afastado e havia um buraco que era preciso coser. Foi à procura de quem soubesse coser e pelo caminho que percorreu viu muitos diferentes iguais, também, à procura de quem os pudesse ajudar a juntar outra vez os pedacinhos. Mas os pedacinhos também já não eram os diferentes iguais que tinham deixado para trás.
Qualquer que fosse a maneira como se estendesse a manta, havia sempre e, cada vez mais, diferentes a juntarem-se aos seus iguais e os buracos sem serem cosidos.
Nem todos se entendiam porque falavam línguas diversas, porque queriam coisas que os outros também queriam, e como eram mais fortes porque tinham muitos quadradinhos conseguiam estragar, esgarçar o quadradinho do outro…
A manta foi ficando retalhada, esfarrapada que já não conseguia ter todos os seus diferentes e iguais sem se descoser mais um pedacinho.
A guerra, a fome, o analfabetismo, os desastres naturais, a bomba atómica, os campos de concentração, a perseguição a alguns diferentes, leis para mediar os pedacinhos entre si, refugiados, escravos todos, e mais alguns, fizeram da manta um mundo agitado, não entendível, mas com pedacinhos ainda de cores vivas que andam a conquistar mais diferentes iguais, para irem cosendo todos os pedaços.
A cultura, a educação, por vezes, ficam entre cada ponto, desejando que a busca pelo bem estar seja um direito adquirido para ser cumprido sem sangue, sem guerra, sem prepotência.
“Quer alguém ser quem não é?”
Enquanto escrevo estas palavras vi na televisão uma onda de refugiados a tentar passar a fronteira entre a Sérvia e a Croácia, a primeira empurra os diferentes para o outro pedacinho, de pedacinho em pedacinho os diferentes vão aprendendo a diferença na igualdade e a igualdade na diferença.