
Igrejas, religiões, há muitas, embora, no Ocidente quase só se fale da igreja, religião católica romana, a dos papas, chefes do estado do Vaticano. Humanidade há só uma, em múltiplos povos, infelizmente, ainda muito divididos entre si. Em muitos casos, até inimigos, também por culpa das igrejas, religiões. O Sínodo dos bispos sobre as famílias, parte 2, teve ontem início em Roma. Precedido, inopinadamente, na véspera, de uma surpreendente e polémica entrevista, dada ao Corriere de la Sera, por um padre católico polaco, Krzysztof Charamsa, 43 anos de idade, a viver em Roma há 17 anos e com várias funções institucionais de responsabilidade, nomeadamente, na Congregação para a Doutrina da Fé, na Comissão Teológica Internacional e em duas universidades pontifícias, a Gregoriana e a Athenaeum Regina Apostolorum, onde é professor. Na entrevista, o padre assume, urbi et orbi, a sua condição de homossexual praticante e até apresenta o companheiro com quem vive em matrimónio. Quis, deste modo, marcar a agenda do Sínodo, o que, no entender do porta-voz oficial do Vaticano, constitui uma agravante na drástica penalização canónica com que será sancionado pela igreja, religião católica. E aqui reside o verdadeiro escândalo que urge denunciar. Pelo facto de ser homossexual, o padre não deixa de ser membro da humanidade que é só uma, em múltiplos povos e diversas tendências sexuais, mas, como ele próprio reconhece na entrevista, deixará de ser o membro da igreja, religião católica que era até aqui e continuaria ser, se mantivesse na clandestinidade a sua situação canonicamente irregular. O facto leva-me a formular, uma vez mais, como presbítero-jornalista, a grande pergunta: Igrejas, religiões, ou Humanidade? Quando as igrejas, religiões, estão contra a natureza humana e contra a consciência dos povos, continuam merecedoras do respeito, ou têm de ser declaradas inimigas da Humanidade e deitadas fora e pisadas pelos povos?!
5 Outubro 2015
