Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
ECONOMIA: Um vento de recaída.
Ou de recessão mundial?
Michel Lhomme, ÉCONOMIE: UN VENT DE RECHUTE… – Ou de récession mondiale?
Revista Metamag, 15 de Setembro de 2015
Redução de ritmo no Chile.
Estes tempos, no Chile, o inverno austral é sobretudo friorento tanto no sentido próprio como no figurado: a taxa do desemprego atingiu 6,6% no segundo trimestre deste ano. A deterioração do mercado do emprego atinge todos os sectores e não dá sinais de se reduzir, os empresários chilenos esperam mesmo números piores para o final do ano. Assiste-se por conseguinte a uma deterioração progressiva da economia chilena que a crise política da Presidência Bachelet só faz agravar. Todo o sector privado está particularmente deprimido e à espera de uma reforma do direito de trabalho muito controversa que daria por exemplo o direito aos sindicatos de esconder ao seu empregador o número dos seus membros, ou mesmo de os inscrever clandestinamente e aos patrões daria o poder de efectuar várias negociações separadas com os trabalhadores no caso de conflito. Por outro lado, no Chile é essencialmente o sector público que cria empregos, e este sofre de fracas receitas fiscais e entrará de facto muito em breve na situação de redução orçamental. Prevê-se por conseguinte uma taxa de desemprego de 6,7% para o ano de 2015. A produção da indústria transformadora caiu de 3% em Maio enquanto a produção industrial registou uma queda oficial de 2% mensal (o sindicato que representa o sector fala numa queda de 4,3%) que seria a pior queda do sector industrial desde o tremor de terra de 2010. De momento, pode-se por conseguinte considerar que o Chile conhecerá um crescimento económico em 2015 que oscila entre 2,5% e 2,6%.
Por toda a parte com efeito, o cenário de um arrefecimento nítido do crescimento mundial ganha em probabilidade. É em todo caso o que deixa pensar a recaída dos mercados financeiros desde há dois dias. Em Paris, o índice CAC 40 afixou um retrocesso de 4,08% em cinco dias e a Bolsa de Shanghai acaba de cair de 8,2% em três dias. Voltaremos a falar nisto mas é necessário saber que a crise chinesa afecta primeiro que tudo os países emergentes produtores da América Latina ou da África.
Recaída no Japão.
No Japão, a situação não vai melhor: o PIB do Japão recuou de 0,4% no segundo trimestre, atingido pela redução do consumo das famílias. “A Abenomics” lançada há dois anos pelo Primeiro ministro Shinzo Abe tem dificuldade em conseguir mostrar os seus frutos. Em ritmo anualizado, o crescimento diminuiu de 1,6%. Trata-se do primeiro retrocesso registado no Arquipélago desde o terceiro trimestre de 2014 (Julho-Setembro). Elo fraco da economia, o consumo das famílias, que conta cerca de 60% do PIB, terá baixado 0,8% durante o período desde Abril até Junho (após +0,4% no primeiro trimestre). Os investimentos não residenciais das empresas quanto a eles estão a surgir em baixa de 0,1% (após +2,8% no 1 Trimestre). O comércio externo também contribuiu negativamente para a evolução do PIB (- 0,3 ponto), enquanto que as exportações caíram de 4,4% em relação ao primeiro ao trimestre.. No entanto, ao Japão, o Primeiro ministro conservador Shinzo Abe tenta desde há mais de dois anos relançar a economia via uma estratégia dita “Abenomics” composta de três “vectores” (reactivação orçamental, flexibilidade monetária e reformas estruturais). Falharia neste seu objectivo.
No entanto, no Japão, o Primeiro-ministro conservador Shinzo Abe tenta desde há mais de dois anos de relançar a economia, via uma estratégia dita “Abenomics” composta de três “flechas ou vectores” (reactivação orçamental, flexibilidade monetária e reformas estruturais). Encalharia no seu objectivo.
Assim, lê–se um pouco por todo o lado, na NET, rumores de uma quebra mundial para o fim de 2015. Setembro, o mês da rentrée do ano político e económico é sempre propício a tais rumores que vêm às vezes enriquecer previsões ou as profecias catastróficas. Mas o que é certo, é que se assiste ao mesmo tempo ao rompimento previsível da bolha imobiliária na China e a uma reorganização dos capitais financeiros na Ásia. As bolsas europeias operam e estão activas sobre esta alteração da situação. Não parece ser o caso de Wall Street mas Wall Street está ainda na corrida? Que fará por conseguinte o FED para reequilibrar o mercado: esta é a questão?
Michel Lhomme, Revista Metamag, ÉCONOMIE : UN VENT DE RECHUTE…
Ou de récession mondiale ?
Texto disponível em : http://www.metamag.fr/metamag-3184-%C3%89CONOMIE–UN-VENT-DE-RECHUTE–Ou-de-recession-mondiale-.html

