UM APELO DE INTELECTUAIS GREGOS – DEFENDAMOS O NÃO DO POVO GREGO! DEFENDAMOS A PÁTRIA E A DEMOCRACIA

mapagrecia

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Jovem com bandeira

Defendamos o não do povo grego! Defendamos a Pátria   e a Democracia

Um apelo de intelectuais gregos

Publicado no sítio de Dimitris Konstantakopoulos

No dia  5 de Julho, o povo grego rejeitou, por uma  maioria esmagadora, o ultimato dos credores, que  se comportam como impiedosos  colonialistas e destruidores do nosso país. O povo pediu o fim dos memoranda  da destruição e da pilhagem do país, da colonização da Grécia, que começou  em Maio de 2010.

Este Não, do referendo, que surpreendeu toda a humanidade, foi dado nas circunstâncias mais difíceis, das circunstâncias de terror propagado pela quase totalidade dos meios de comunicação social, ameaças e chantagem por parte das potências internacionais mais fortes e guerra económica nascente, o  que conduziu ao encerramento dos bancos. Este Não é bem comparável aos grandes Não da nossa história como os de 1821,1940,1941-1944 e muitos outros com os quais o povo grego guardou a dignidade, a cultura e as condições morais mais fundamentais da sua existência como nação estruturada.

De acordo com aos princípios mais fundamentais da   nossa constituição, este Não está acima de  todas as decisões do governo e do Parlamento. Todas as instituições governamentais gregas e europeias devem respeitá-lo  e  tanto mais quanto em termos absolutos as condições prevalecentes em 5 de Julho nada mudaram  (se algo mudou é para pior, é porque    as condições impostas ao povo grego pelos credores se degradaram ainda mais).

De acordo com os princípios mais fundamentais da nossa Constituição este Não tem prioridade  sobre todas as decisões do governo e do Parlamento. Todas as instituições governamentais gregas e europeias devem respeitá-lo , tanto mais que não  se alterou absolutamente nada desde as condições que prevaleciam no dia  5 de Julho (se algo se passou  é que as condições impostas ao povo grego pelos credores se deterioraram ).

O resultado de um referendo só é possível de ser mudado   por um outro referendo. O respeito destas regras, o respeito da expressão directa da vontade do povo grego e da essência do nosso governo não são não somente uma questão jurídica, política e económica grave. É a condição mais importante para a  manutenção da democracia na Grécia e na Europa. É o único meio para manter a paz na sociedade grega.

É igualmente o único meio para assegurar a nossa sobrevivência moral e material, e para a Grécia sobreviver como identidade social, política e cultural. Durante os cinco últimos anos, foi provado, da maneira mais absoluta e mais trágica, que estes programas, impostos pela Troika (a UE, o BCE e o FMI) ao povo grego (com o consentimento dos governos gregos que violaram frontalmente  a Constituição, a vontade dos eleitores, o direito europeu e internacional), conduziram a nada  mais nada menos do que à maior  catástrofe económica e social que teve lugar na Europa desde 1945. Estes programas assassinam o nosso país!

A continuação deste programa num país que já sofreu  uma destruição sem precedentes vai provocar a sua desintegração completa e o seu desmantelamento a todos os níveis. Mesmo os que votaram na  Assembleia as medidas inumanas impostas pelo último “acordo”, manifestamente ilegal e anticonstitucional, não puderam citar uma só  vantagem convincente. O seu único argumento é que “não temos outra solução, nós devemos inclinar-nos, devemos rendermo-nos à evidência”. Com efeito, pedem-nos  que se cometa  suicídio como país e como povo.

O povo grego, todos os cidadãos gregos e a opinião pública mundial seguiram, consternados, a evolução dos acontecimentos após o referendo. Hoje ainda, o espírito humano tem dificuldade em  compreender como é que um governo que pediu e obteve do povo grego o mandato esmagador  de se opor , praticamente a partir do encerramento do voto, passou a agir como se tivesse sido  o Sim a ganhar. Tem-se muita dificuldade em compreender que cinco dias mais tarde, e sem nada se ter mudado quanto  às condições que prevaleciam no dia 5 de Julho, se passou a ter comportamentos perfeitamente aviltantes quanto a  “um acordo” que humilha e que é destrutivo para a Grécia.

Este “acordo”, não ousaram  apresentá-lo ao Parlamento para que este o aprovasse, como o prevê a Constituição, mas fez-se  com que se aprovasse  um projecto de lei baptizado “acordo”, como fazia o governo anterior, em Maio de 2010, a que o chamava de   “memorando”. A humilhação da Grécia e a desconsideração total  pela Constituição foram simbolicamente alcançadas  com a publicação, no Jornal oficial, da lei sobre as medidas adoptadas pelo Parlamento, acima da qual figura o nome do Presidente da República mas não a sua assinatura, lei não adoptada pelo Parlamento, contendo o texto do  ““Acordo em inglês e grego”, lei publicada parecendo ter como origem  ordens dadas por um poder superior.

Esforçando-se por  justificar o injustificável e de explicar esta metamorfose ovidiana , o Governo tem-se agora tornado o principal propagandista dos argumentos do Sim. Ele instalou mesmo o medo e o pânico na cabeça dos cidadãos gregos. O governo colocou até mesmo  o prestígio que lhe conferiu  a sua posição anti – memorando do passado recente, assim como colocou o prestígio de uma esquerda que anteriormente tinha lutado heroicamente ao serviço de potências que querem quebrar o moral do povo grego, que querem convencê-lo de que o Estado é completamente impotente, que não pode fazer nada outra coisa que não seja  entregar sem resistência a soberania nacional e popular aos credores, esperando assim a sua piedade. Mas de piedade, como o aprenderam  os Gregos pois que lhes  custou   o desmantelamento do país durante os cinco últimos anos, já têm que chegue.

O que  diz hoje o Governo, os políticos e os partidos em falência que carregam  a responsabilidade histórica da destruição e da dependência da Grécia diziam-no antes do referendo. Os Gregos ignoraram-nos, dando ao Governo o Não que este pedia, mas hoje já não se sabe  se ele o queria na verdade. Ora, o facto que “o chefe-mesmo” dos anti-memoranda  repete tais  argumentos semeia o medo, a dúvida e a confusão junto da maioria dos cidadãos gregos. Nos resultados imediatos, materiais e objectivos da capitulação, acrescenta-se agora a  decomposição moral da nação, o desmoronamento da sua  moral, da sua confiança e da sua auto-estima!

Naturalmente, o Primeiro ministro disse,  da mesma maneira que os seus antecessores: “Não há alternativa, não podemos fazer nada”. Isto não é verdade. Um tal argumento seria unicamente credível se, na batalha pela defesa da soberania do seu país, da democracia, dos direitos humanos, tivesse utilizado todas as armas das quais dispunha a Grécia, armas que não foram utilizadas e foram dissimuladas com cuidado. Há sempre uma alternativa quando se tem  um povo determinado  por detrás ele! E seja como for, o primeiro a ter a responsabilidade e o poder de organizar a defesa do nosso Estado e do povo em face de  um ataque e da guerra ‒ e os Gregos e o seu Estado sofrem  efectivamente um ataque e uma guerra desde há  cinco anos ‒ é o primeiro ministro ele mesmo e o seu Governo. Devem antes incentivar a lutar e não andar a semear o pânico. São eles que devem pôr ao serviço do Estado ameaçado de desaparecimento e do povo todos os meios disponíveis. E certamente não ordenar a retirada do povo e do Estado no medo e no momento em que o inimigo ataca!

Porque é que , de resto, durante dois anos e meio,  desde a eleição de 2012 até às eleições de 2015, o Primeiro-ministro e os partidos políticos no poder não se prepararam à eventualidade extremamente provável de um conflito com os credores? Porque é que não tornaram  isso bem claro  quando se tornou  evidente   que nada iria  surgir    das negociações? Porque gastaram as reservas do Estado para fazer manter  durante cinco meses uma paródia “de negociações”? Porque é que enganaram e tranquilizaram o povo grego antes e depois das  eleições, em vez de os preparar para o que se estava a passar ? Porque não procuraram uma ajuda financeira à escala internacional, externa à UE, e a rejeitavam sucessivamente  nas suas declarações? Em quem tinham eles uma tal confiança? Porque razão exactamente agradecem eles aos  Estados Unidos? Eis pois um conjunto de perguntas entre outras que lhes põem inexoravelmente o Povo e a História.

Apelamos ao  povo gregos, nestas horas trágicas da nossa história, a não baixar os braços,  a não perder a sua coragem e o seu discernimento. A não permitir que lhe destruam  outra vez a sua confiança e  a sua auto-estima, a sua confiança na sua força historicamente repetidamente provada. a não vergar. Os nossos pais e as nossas mães, os nossos avôs e avós  viveram a ocupação alemã. Viveram a fome em 1941. No entanto sobreviveram, opuseram-se e venceram o ocupante. Será do mesmo modo agora.

Exortamos os cidadãos Gregos a organizar-se e a lutarem sem perder um momento sequer para ajudar os mais fracos  a enfrentar a fome, a doença, a miséria, para apoiar a dignidade das pessoas. A ajudar em primeiro lugar os que são privados de electricidade nas suas casas, que não têm tecto, que não têm os  medicamentos  de que precisam-

Exortamos os cidadãos gregos a não  deixarem  destruir pelo terceiro e o pior dos memoranda, as funções mais fundamentais da sociedade e do Estado.

Nós apelamos  a que resistam  onde o puderem fazer  como o puderem fazer face às  novas medidas impostas contra a população. Este pais é o nosso. Não o vamos abandonar.

Apelamos ao povo gregos a tirar as lições dolorosas mas necessárias da sua experiência e a construir um frente de resistência séria e fiável, a não fazer cegamente confiança nos  salvadores improvisados, nos aventureiros e nos oportunistas. Não é mais do que um grande dever nacional e popular, hoje,  procurar pôr um fim  ao plano de empréstimos no caso de catástrofe total e da subserviência imposta ao país. É preferível que esta interrupção seja feita de acordo os outros países da União Europeia. Se isso  não puder fazer-se assim, deve fazer-se então unilateralmente.  Não temos outro meio para sair desta situação , nem o luxo de novas ilusões! Não há outro meio para salvar a Grécia da catástrofe completa, para a salvar com forças capazes de manter o seu tecido social e o tesouro mais precioso que nós temos, o capital vivo que são os jovens que a Grécia está em vias de perder sobre o caminho da emigração.

Para o efeito, o povo grego deve mobilizar-se unanimemente, sem egoísmo nem clanismos  políticos, sem slogans fáceis nem oportunismos. Devemos procurar apoios e alianças nos quatro cantos do planeta, sem distinções. Temos necessidade de coragem, de abnegação e de seriedade. Fomos destruídos pelos  slogans fáceis, pelo  clanismo político, pelos grandes discursos vazios de conteúdo, pelos aventureiros, pela exploração oportunista da tragédia do nosso povo. Temos necessidade de uma gestão cientificamente adequada das alternativas, de uma discussão aberta e séria na sociedade grega e com os Gregos do estrangeiro sobre as soluções de que  dispomos e para seguir em frente como nação.

David pode vencer Goliath. Mas deve ser mais sério, mais disciplinado e inteligente que Golias. Hoje, o povo grego paga muito caro, um  preço muito elevado, como tantas outras vezes na história, porque as supostas  forças anti-memorando e os dois partidos no poder, precisamente porque prometeram parar com a política dos memoranda , não cumpriram  o seu dever, não se prepararam e  não prepararam  a população, são movidos  muito frequentemente pelo espírito de oportunismo e do seu partido político, confiaram na segurança  e nos conselhos de estrangeiros que, ao longo de toda a nossa história, mostraram que não são os nossos amigos.

O nosso país não foi ameaçado quando o povo, unido como um só um homem, se bateu  pela  sua independência e pela sua prosperidade. Sempre foi ameaçado e frequentemente foi destruído quando as potências estrangeiras que nos queriam vergar e escravizar  tomaram o controlo do país. Apelamos particularmente  às camadas sociais que conseguiram, nestes tempos de crise  preservar, apesar de tudo, alguns depósitos e a assegurar-se um certo conforto material e de segurança, a tomarem consciência que se joga  com o seu medo do que poderia significar um conflito, sem lhes dizer o que aconteceria  se o país continuar nesta via. É certo que toda e qualquer posição de defesa, toda e qualquer resistência, todo e qualquer  combate é um conflito com as forças muito poderosas da  destruição e da escravidão. É certo que qualquer conflito comporta perigos para os combatentes. Mas na história, há momentos onde o conflito é necessário para salvar a pátria, o povo, a cultura e as gerações futuras. Para salvar o valor e a dignidade do homem. Em qualquer combate puro, os combatentes tapam as suas orelhas aos sons agradáveis e aos sons aterradores da sirenes dos conquistadores.

Uma das armas mais inumanas doravante utilizadas por todas as espécies de conquistadores é “a falência ordenada”, geralmente chamada “ajuda de solidariedade”. É uma das armas mais inumanas porque esmaga totalmente um povo e as gerações futuras mais próximas. Esta arma, utilizada contra o povo grego desde 2010, conduziu  ao desaparecimento completo da Grécia como Estado-nação, como sociedade, como identidade histórica e cultural ao mesmo tempo que destruiu as gerações futuras próximas. É esta falência que nos é imposta hoje, é a que temos e é aquela que se  combinou  entre o nosso  chefe político actual com os nossos credores que iria ser continuada e perpetuada . O povo grego não deve permitir isso.

Se os credores ganham, apropriar-se-ão de tudo,  mesmo aos que ainda  têm  algo. A única coisa que a Sra. Merkel não tentou  aplicar no nosso país, é a instituição da escravatura. Certamente, é assim talvez porque teve êxito em  impor  medidas que lhe são  equivalentes”. Os que guardaram uma parte das suas economias à custa do seu suor , aqueles  entre os Gregos que têm empresas, pequenas, médias ou grandes, devem tomar consciência que estas lhes vão escapar das mãos, que o objectivo dos credores é de as fazer passar,  bem como o conjunto do mercado para as   mãos das sociedades multinacionais e do capital financeiro especulativo.

A aplicação deste acordo imposto e que além disso é posto em prática por um governo que fala em nome da esquerda , recomenda a predominância total do neoliberalismo, na sua forma mais extrema. Recomenda a abolição completa  dos direitos sociais e do trabalho, a degradação da classe média já posta em dificuldade , a destruição dos agricultores e dos desempregados.

A protecção do Estado social e dos direitos do trabalho e sociais, a redistribuição social e económica não é um luxo. É a condição absoluta, condição mais vital para a  salvação da pátria. A nação, a pátria,  não são conceitos abstractos, estes  identificam-se com o povo grego dinâmico, verdadeiro, que trabalha no  duro e que luta. Uma nação e uma pátria podem também não existir sem o seu povo e sem dignidade. A Grécia não pode, certamente, ser identificada a  uma oligarquia, estreitamente ligada à interesses estrangeiros.

O abandono da soberania do Estado a favor dos representantes da zona euro e do FMI é o lugar de encontro “da elite” local com o capital financeiro internacional. É o plano de cessão da propriedade pública mas também privada dos Gregos, o seu sistema bancário, o seu domicílio principal cuja protecção já foi  levantada, e mesmo da terra dos agricultores.  aos credores. É o plano de empobrecimento completo, da miséria e da dependência do povo grego.

Estamos convencidos de que o orgulho e o patriotismo dos Gregos vencerão a profunda decepção e o desânimo de que todos nós temos agora o direito de nos ressentirmos. Os credores são com efeito de tal modo tão impiedosos que não nos deixam nenhuma margem, se quisermos sobreviver como indivíduos e como povo.

Lançamos um apelo a  todos os povos do mundo e convidamo-los  a tomar consciência que o nosso combate é também o deles. A compreender o tipo de potências contra as quais nos debatemos e que escolheram a Grécia como animal de laboratório.

Apelamos particularmente aos Europeus que apoiaram os Gregos durante o período sombrio da ditadura militar e pedimos-lhes  agora que impeçam o golpe de Estado organizado pelos seus governos, em colaboração com o FMI e o BCE, sob a direcção do capital financeiro internacional que querem impor hoje na Grécia a ditadura dos credores, e impô-la amanhã em toda a Europa!

As potências que conceberam e transformaram um país da União europeia numa espécie do Iraque ou da Líbia à custa de  “ bombardeamentos económicos”, se permanecerem no poder , acabarão  por destruir não somente Grécia, mas também o conjunto da humanidade. Face ao novo totalitarismo “dos mercados”, um totalitarismo semelhante, se é que não é mesmo mais perigoso do que o dos anos 1930 e 1940, não temos outra escolha que não seja a de nos unirmos   e de nos batermos. Devemos fazê‑lo agora. Amanhã será demasiado tarde,  talvez até para toda a Europa, talvez até  para toda a humanidade.

A Grécia vencerá, a Democracia vencerá, a Europa democrática vencerá !

Atenas, 29 de Julho de 2015

DEFENDONS LE NON DU PEUPLE GREC! DEFENDONS LA PATRIE ET LA DEMOCRATIE! Texto na versão francesa publicado em 29 de Setembro de 2015 e disponível no sitio  http://www.konstantakopoulos.gr/2015/09/29/defendons-le-non-peuple-grec-defendons-la-patrie-et-la-democratie/

*Mikis Theodorakis
*Venios Angelopoulos, Mathématicien, Professeur Emeritus de l’ Ecole Polythechnique d’Athènes, Membre du Comité Central de SYRIZA
*George Vihas, cardiologue, membre du Conseil Administratif de l’ Union Médicale d’Athènes, et un des fondateurs du Cabinet Médical Social Héllénique
*Kleanthis Grivas, psychiatre
*Catherine Thanopoulou, enseignante spéciale, membre du Comité Central de SYRIZA
*Kostas Karaϊskos, éditeur du journal , «Antifonitis» de Thrace
*George Kassimatis, Professeur Emeritus du Droit Constitutionnel de l’Université d’ Athènes, membre fondateur et Président honoraire de l’Union Internationale du Droit Constitutionnel, et ex conseiller juridique du PM Andréas G. Papandréou
*Pretre Andréas Kefaloyiannis, de Anoyia en Crète
*Jean Kimbouropoulos, Journaliste
*Stathis Kouvelakis, Professeur, King’s College, Londres, membre du Comité Central de SYRIZA
*Nikos Koutsou, Député d’ Ammohostos et l’un des deux députés, qui étaient contre les Memorandums en Chypre jusqu’ à la fin
*Marios Kritikos, Vice Président du Conseil Général de ΑDΕDΥ
*Dimitris Konstantakopoulos, journaliste et auteur, coordinateur de «L’Initiative de Delphe », membre du comité de rédaction d’inspection internationale pour l’autogestion «Utopie Critique »
*Lefteris Konstandinidis, cadre du PAK, ancien député du PASOK
*Spyros Lavdiotis, économiste, auteur, ancien directeur de la Banque Centrale du Canada
*Yiannis Mavros, membre du Comité National pour l’exigence des dettes allemandes vis-à-vis de la Grèce
*George Moustakis, metteur en scène
*Dimitris Bellandis, avocat, Docteur du Droit Constitutionnel, membre du Comité Central du SYRIZA
*Maria Negreponti-Delivanis, économiste, auteure, ancienne Rectrice à l’Université Macédonienne de Thessaloniki, ancienne conseillère de l’OTAN de l’OCDE, de l’Université Européenne (Fiesole), docteur honoris causa de 5 Universités, membre honorifique de l’Académie Roumaine des Sciences, chevalière de la Légion d’Honneur, Vice –Présidente du CEDIMES, Présidente de la Fondation Delivani, etc.
*Panayiotis Pandelidis, économiste-chercheur
*Dimitris Patelis, Professeur associé de Philosophie, Ecole Polytechnique de Crète
*James Petras, Professeur de Sociologie à l’Université de Binghamton University, à New York, ancien conseiller du PM Andréa G.Papandréou, directeur de la Fondation des Etudes Méditerranéennes , collaborateur d’un grand nombre de chefs de mouvements de l’Amérique Latine
*Hélène Portaliou, Professeur de l’Architecture, Ecole Polytechnique Nationale Metsovion, membre du Comité Central du SYRIZA
*Stathis Stavropoulos, dessinateur
*Themos Stoforopoulos, ancien ambassadeur
*Michel Stylianou, journaliste, directeur de l’émission grecque, de la Radio Publique Française, pendant la dictature grecque
*Yiannis Shizas, auteur
*Fotis Terzakis, auteur
*Vangelis Tsekouras, avocat
*Maria Fragiadaki, membre du Comité Central du SYRIZA, ancien membre du Conseil Administratif de l’Union des Ouvriers de la Grèce
*Stathis Hambimbis, physicien
e-mail de communication avec ceux qui ont signé defend.democracy.in.Greece@gmail.com

Leave a Reply