TONY BLAIR: CRIMINOSO DE GUERRA E TRAIDOR – uma montagem de JÚLIO MARQUES MOTA sobre textos de PAUL CRAIG ROBERTS, WILLIAM LOWTHER e GLEN OWEN – II

tony blair - III

Tony Blair: Criminoso de Guerra e Traidor

(continuação)

O mistério tem-se mantido por muito tempo sobre o que foi discutido em Crawford enquanto os conselheiros foram mantidos à distância numa reunião chave entre os dois homens.

Sir Christopher Meyer, que esteve presente em Crawford como embaixador de Grâ Bretanha nos E.U., disse a Chilcot que a sua exclusão significou que “não era totalmente claro até hoje… qual era o grau de convergência , se você quiser, o que teria sido assinado no sangue no rancho de Crawford”.

Mas em comentários públicos durante a sua estada em Crawford, Blair negou que a Grã-Bretanha estava num caminho imparável para a guerra.

“Este é um problema para a solução do qual se devem considerar todas as alternativas, todas as opções”, disse ele. “Nós não estamos a propor uma acção militar neste momento e nos tempos que correm”.

Durante a sua aparição perante o inquérito Chilcot em Janeiro de 2010, Blair negou que tivesse feito um acordo secreto com Bush em Crawford para derrubar Saddam. Blair disse que os dois homens tinham acordado na necessidade de enfrentar o ditador iraquiano, mas insistiu que eles não entraram em “detalhes”.

A única coisa que eu não estava a fazer era a dissimular nessa posição “, disse ele a Chilcot.

‘A posição não era uma posição encoberta, mas sim de uma posição aberta. Não se trata de uma mentira ou uma conspiração ou um engano ou de uma decepção . É uma decisão. O que eu estava a dizer … foi “Nós vamos estar juntos em enfrentar e lidar com esta ameaça.”

Pressionado sobre o que ele achava que Bush iria assumir a partir desta reunião, ele disse que o presidente tinha percebido que a Grã-Bretanha apoiaria uma acção militar se a via diplomática tivesse sido esgotada.

Nas suas memórias, Blair novamente disse que era “um mito”, ao dizer-se que ele tinha feito um “pacto de sangue” quanto a acompanhar os EUA no desencadear da guerra, e insiste: “Eu não fiz um tal compromisso.

Os críticos que alegam que Blair agiram como o “caniche ” de os EUA irão apontar para uma referência no memorando de Powell ao facto de Blair “prontamente se comprometeu a mandar 1.700 comandos para o Afeganistão, embora os seus especialistas alertarem para o facto de que as forças britânicas estarem sobrecarregadas”.

A decisão tomada em Outubro passado, na sequência dos ataques de 11 de Setembro levou a uma preocupação generalizada de que o Reino Unido estava a entrar num compromisso aberto para um conflito sangrento no Afeganistão – uma preocupação que muitos críticos dizem agora que estava bem fundamentada.

O memorando de Powell continua a dizer que um movimento recente dos EUA para proteger a sua indústria de aço com as tarifas, que havia penalizado as exportações do Reino Unido, terá sido um “duro golpe” para Blair, mas ele estava preparado para “isolar o nosso relacionamento mais amplo relativamente a esta questão e a outras disputas comerciais’.

O memorando foi incluído num lote de 30.000 e-mails que foram recebidos por Clinton no seu servidor privado quando era Secretária de Estado dos EUA entre 2009 e 2013.

Um outro documento incluído no lote dos e-mails é uma informação confidencial para Powell preparada pela Embaixada dos EUA em Londres, pouco antes da cimeira de Crawford.

O memorando, datado de Abril 02 ‘, inclui uma avaliação detalhada do efeito sobre a posição interna de Blair se este decide apoiar abertamente a acção militar dos EUA.

O documento diz: “Um número considerável de pessoas do seu partido, membros do Parlamento e governo [de Blair] continuam actualmente a manter uma oposição a uma acção militar contra o Iraque … alguns poderiam mudar da posição de uma política de contenção do Iraque se tivessem provas recentes (e utilizáveis publicamente) de que o Iraque está a desenvolver armas tipo WMD/ mísseis … mais ainda, parecem querer também que haja um aval tipo ONU para uma acção militar.

‘O desafio de Blair é agora de julgar o momento e a evolução da política dos Estados Unidos no Iraque e conseguir o apoio do seu partido e do povo britânico para essa política.

“Houve algumas peças especulativas na imprensa mais febril sobre o desconforto do Partido Trabalhista [sic] sobre a política para o Iraque … que passou a identificar o início de um desafio à liderança de Blair do seu partido.

“O ex-membro do Gabinete Peter Mandelson, ainda segundo uma fonte, disse relativamente a tudo isto ” é tudo espuma “. No entanto, esta é a primeira vez desde as eleições de 1997 que uma tal história ainda está a ser contada .

O documento baseia-se em informações que foram dadas pelos ‘espiões’ do Partido Trabalhista, cujas identidades permanecem escondidas.

Nele afirma-se que: ‘[Fulano X-nome redigido] disse-nos que a intenção daqueles que alimentam a história não é para derrubar Blair, mas para influenciá-lo na questão do Iraque.

‘Alguns deputados aceitariam a acção se tivessem provas de que o Iraque tem continuado a desenvolver armas de destruição massiva mesmo depois da saída dos inspectores da ONU.

Mais membros do Partido poderiam mudar de posição e apoiar a posição de Blair se estivessem convencidos de que o Iraque conseguiu desenvolver a capacidade de produção de armas de destruição massiva e os mísseis para as disparar.

“Muitos mais se seguiriam no apoio a acção militar se houvesse provas convincentes de que o Iraque tem a intenção de produzir e planeia usar tais armas. Uma clara maioria apoiaria uma acção militar se Saddam estiver implicado nos ataques de 9/11 ou noutros actos flagrantes de terrorismo “.

“Blair tem-se revelado um excelente analista e juiz dos timing políticos e ele terá de ser especialmente cuidadoso sobre quando se deve lançar uma campanha intensa para conseguir o apoio político e público para a acção contra o Iraque”.

“Ele vai querer estar nem muito longe na frente nem muito atrás da política dos Estados Unidos … se ele espera demasiado tempo, então a pedra angular de qualquer coligação que queremos construir não se pode firmemente aguentar em função . Sem dúvida, estes são os cálculos que Blair espera firmar quando se encontrar com o Presidente ‘.

Um porta-voz de Tony Blair disse: “Isto é consistente com o que Blair disse publicamente na época e com provas de Blair apresentadas ao Chilcot Inquiry”.

Nem a senhora Clinton nem Powell responderam aos pedidos de comentários.

William Lowther In Washington and Glen Owen for The Mail on Sunday, Leaked Memo Reveals Blair’s ‘Deal In Blood’ With Bush Over Iraq War. Texto disponível em :

http://www.informationclearinghouse.info/article43170.htm

(continua)

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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