EDITORIAL – A INCERTEZA DE DRAGHI – A PREFERÊNCIA DE BARRETO

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Mario Draghi disse que a incerteza política faz parte da democracia. Mas também disse que é má para a economia. Mario Draghi, presidente do BCE, é sem dúvida a autoridade máxima na UE, digam o que disserem. Comanda a torneira do euro, que funcionou como se sabe em situações como a que ocorreu na Grécia, após a eleição de 25 de Janeiro último, ou no caso do BES. Homem discreto, é um incondicional da economia de mercado e da ideologia neoliberal. Pode-se ter a certeza de que actuará sem hesitações, no momento que julgar oportuno. Também sabe que, se a economia tem um grande peso na política, que esta tem a palavra final. Por isso está em posição de espera.

Como era de prever, a partir do momento em que partidos de esquerda mostraram abertura para, em certas condições, apoiarem um governo, os líderes de partidos de direita e os comentadores que até aqui os classificavam como “partidos de protesto”, sem intenções sérias de assumirem as responsabilidades do governo do país, mudaram radicalmente de discurso. Entretanto, António Barreto, sociólogo, ex-ministro, ex-presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos,  em relação aos partidos de esquerda, falando na RTP, tem frases como “atracção do poder” e que “cheira bem, cheira a poder”. Reconhece que Portugal é um protectorado da União Europeia, e faz críticas a outros sectores, ao presidente da república, a Passos Coelho e às elites. Há dias, no Diário de Notícias, disse que “a ter de ficar nas mãos de alguém, prefere mil vezes os credores aos comunistas”.

Sobre as perspectivas de sobrevivência de Portugal e dos portugueses fala-se pouco ao nível destes líderes e comentadores. Podem dizer que a esquerda terá de se esforçar muito e trabalhar muito bem para chegar a resultados palpáveis. Mas o que não podem negar é que a política que têm seguido se resume na entrega do governo e da economia  do país às instituições de Berlim/Bruxelas e ao sistema financeiro mundial, em conjunto com uma procura sistemática de precarização e embaratecimento do trabalho. A emigração numerosa, a quebra de natalidade são resultados dessas opções políticas. E são sintomas de um futuro incerto.

Propomos que acedam a estes links:

http://economico.sapo.pt/noticias/mario-draghi-sobre-portugal-incerteza-e-ma-para-a-economia-mas-faz-parte-da-democracia_232426.html

http://www.rtp.pt/noticias/eleicoes-legislativas-2015/antonio-barreto-anteve-governo-de-esquerda-a-rebentar-com-toda-a-forca_n867815

http://ptjornal.com/prefiro-mil-vezes-os-credores-aos-comunistas-escreve-antonio-barreto-53280

 

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