EDITORIAL – A POLÓNIA, UM PAÍS DA UNIÃO EUROPEIA

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O início da identidade nacional da Polónia remontará ao século VI, embora o primeiro estado polaco geralmente reconhecido como tal tenha sido formado no século X. A história do país atravessou fases gloriosas e outras mais infelizes, como no século XIX, em que chegou a perder a independência. Contudo a sua consciência nacional manteve-se fortíssima ao longo dos tempos, o que lhe permitiu vencer as crises terríveis a que tem estado sujeito. Hoje é um país com mais de 300.000 quilómetros quadrados e cerca de 40 milhões de habitantes, membro da União Europeia, que conserva uma moeda nacional, o zloty. É a este facto, o ter continuado a ter moeda própria, que muitos atribuem o ter atravessado a depressão causada pela crise financeira de 2008 melhor do que a maioria dos outros países europeus. Contudo, a vida dos polacos tem-se mantido a um nível baixo, é grande o descontentamento, assim como o número de trabalhadores precários.

Domingo passado, houve eleições e venceu um representante da oposição, o partido “Lei e Justiça”, que está classificado como nacionalista eurocéptico. Recebeu mais de um terço dos votos expressos, e deixou muito para trás a Plataforma Cívica, que até aqui ocupava o governo. O vencedor aposta numa posição mais dura face à Rússia, com o reforço da presença da NATO no país, indo nisto contra Angela Merkel. Tem-se também manifestado contra o acolhimento que está a ser dado aos refugiados que têm conseguido atravessar o Mediterrâneo. Por outro lado defende um papel maior do Estado na economia, o abaixamento da idade de reforma e também pretende que se façam alterações à constituição polaca.

Não é descabido levantar a hipótese de que esta mudança na Polónia poderá trazer alterações ao equilíbrio na União Europeia. Mas o sentido em que serão dependerá de muitos factores. A situação geográfica e a história recente do país continuarão a ter um peso grande nas orientações dos seus governantes. Quanto à política de austeridade, que nunca foi seguida oficialmente no país, parece que a orientação será de um afastamento ainda maior. Contudo, deverá confirmar-se a ideia de que um afastamento à direita não será penalizado como um afastamento à esquerda. Poderemos sem dúvida verificar se é verdadeira ou não nos próximos tempos.

Propomos que acedam aos links seguintes:

 

http://www.publico.pt/mundo/noticia/nacionalistas-eurocepticos-vencem-eleicoes-na-polonia-1712337

http://www.dn.pt/mundo/interior/partido-da-oposicao-lei-e-justica-a-frente-nas-eleicoes-da-polonia-4854521.html

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/26/law-justice-party-small-majority-polish-eleciton

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