Depois da entrada na União Europeia, a adesão ao euro foi sem dúvida a opção mais importante tomada na vida política e económica do nosso país. Ultimamente tem sido posta em causa, graças (é sempre positivo discutir questões decisivas para todos, sobretudo quando foram tomadas sem qualquer forma de consulta aos cidadãos) em primeiro lugar a João Ferreira do Amaral. Entretanto alguns declaram-se totalmente a favor da saída do euro, outros contra. Abaixo apresentamos um link com acesso a um artigo de Wolfgang Münchau, jornalista e analista, que diz que os principais erros cometidos pela União Europeia (UE) terão sido a construção do euro e o alargamento do número de países que a integram. O articulista não parece estar nem contra a existência de uma moeda única, nem o aumento do número de países da UE; estará sim contra os moldes em que foram postos em prática.
Wolfgang Münchau, a certa altura, avança com a opinião de que a dissolução do euro seria uma catástrofe maior do que a actual. E remata dizendo que o verdadeiro perigo será que a UE se desvaneça e venha a desaparecer. Não se refere aos objectivos políticos que estiveram por detrás da criação da UE, mais do que os estritamente económicos. O alargamento para o leste da Europa visou sobretudo afastar os países da zona da órbita russa, e prolongar as linhas de actuação da época da guerra fria. A criação do euro veio na sequência da reunificação alemã, que foi uma sequela do conflito leste-oeste. E o predomínio alemão foi o remate inevitável. Os países mais pequenos, a começar pelos que aceitaram fazer parte da zona euro, não têm qualquer possibilidade de enfrentar a poderosa máquina alemã, subjugados como estão pelos tristes tratados europeus. Mesmo sem estes teriam grandes dificuldades. Com as obrigações que impõem não têm qualquer possibilidade de um crescimento significativo. E, diga-se a propósito, a Alemanha não tem o menor interesse no desenvolvimento da Grécia ou de Portugal, ou dos outros países periféricos. Angela Merkel refere-se por vezes à competitividade: o que ela quer dizer é que os países mais pequenos têm que ir pagando os juros das dívidas que contraíram, e não ter ilusões sobre o resto. Transferências financeiras importantes entre os vários países não acontecerão, porque não há um desejo real de modificar a actual situação. E ainda menos de respeitar as diversidades nacionais e regionais.