EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL “DA INQUIETUDE À TRANSGRESSÃO: EIS BOCAGE…”, ATÉ DIA 31 DE DEZEMBRO

Da inquietude à transgressão: eis Bocage…

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Comemoram-se, a partir de Setembro de 2015, os 250 anos do nascimento de Bocage, um paradigma literário e cívico da cultura portuguesa.

A sua poesia multifacetada – cultivou com talento todos os géneros poéticos da época – caracteriza-se pela autenticidade, pela singularidade e pelo universalismo, estando omnipresentes na sua obra o lirismo, a intervenção social, o erotismo e a sátira.

Acresce, por outro lado, que Bocage fez incursões pela arte cénica e traduziu com rigor e criatividade os clássicos greco-latinos – Ovídio, Lucano, Virgílio, Museu e Moscho – e os escritores coevos, como, entre outros, Voltaire, La Fontaine, Tasso, Racine, Delille e Madame du Bocage, sua tia-avó.

A sua vida caracterizou-se pela inquietude, a irreverência e a transgressão. Perfilhou os princípios do Iluminismo, criticou os valores serôdios do Antigo Regime português – a religião punitiva, a nobreza parasitária, o ensino entorpecedor, a moral sexual, o fanatismo e a ignorância – e exaltou o corpo, compondo poesia erótica que distribuiu clandestinamente, a qual só pôde ser publicada legalmente com o advento do 25 de Abril, ou seja, cerca de 200 anos depois do seu falecimento.

Bocage subscreveu dois manifestos iluministas, em verso, cuja atualidade é evidente. Não poderia deixar de ser, portanto, persona non grata para Diogo Inácio de Pina Manique, que o pôs a ferros no Limoeiro, tendo sido posteriormente libertado pela intervenção conjugada de personalidades relevantes do regime. Este acontecimento dramático deixou sequelas psicológicas e físicas inequívocas.

Bocage faleceu em 1805, aos 40 anos, intensa e freneticamente vividos. Os seus restos mortais, por incúria das autoridades, foram para a vala comum. O seu legado, porém, vivifica o presente e incentiva a utopia.

A Biblioteca Nacional de Portugal associa-se às comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage, evocando o poeta, o tradutor, o dramaturgo e o cidadão.

Comissário: Daniel Pires

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