Desengane-se quem pensa que a guerra declarada pelo presidente Hollande ao terrorismo em geral e ao EI em especial é uma guerra entre religiões. Não é. O Islamismo é filho do judeo-cristianismo. Os três auto-apresentam-se como as religiões do livro – Bíblia hebraica, judeocristã (1º e 2º Testamentos), Alcorão. Na verdade, são três sistemas de poder. Siameses, não distintos. Com variantes meramente acidentais, decorrentes das respectivas origens históricas e contextos culturais em que foram escritos. São livros datados, não sagrados, como nos fazem crer. Uma mentira mais, com que mascaram a realidade histórica, objectivamente obscena. Os mais hediondos crimes, os mais bárbaros actos de terrorismo, os maiores genocídios e ecocídios cometidos ao longo dos séculos no Ocidente e no Oriente, estão todos justificados por estes livros. Comparados com os actos terroristas destes primeiros 15 anos do terceiro milénio, pese embora toda a sua crueldade, todo o seu sadismo-desprezo pelos seres humanos-povos-planeta terra, estes são quase uma suicida diversão de mau gosto. No calendário por que nos regemos, os antigos actos terroristas são coisa do passado. Já não queimam a pele. Só que a memória das vítimas não tem passado, só Hoje. Não o de 24 horas, o iniciado com a primeira vítima da história da humanidade. Dizem-se as três religiões do livro. São três sistemas de poder que se degladiam entre si pelo domínio do planeta, da riqueza do seu subsolo, dos seus mares e rios. Sobretudo, das mentes humanas. Vestem de salvadores, messias-cristos redentores. São insaciáveis bestas que se alimentam de sangue, o das vítimas. Guerra entre religiões ou financeira global? Não nos deixemos enganar. Quanto mais invocam Deus, mais terroristas são. Escutemos Jesus, o filho de Maria, não cristo, o filho de David: “A Deus nunca ninguém O viu!” (João 1, 18) Pelo que o deus das três religiões do livro é o pior dos ídolos. Hoje, o poder financeiro global. Em guerra aberta contra os seres humanos, os povos, o planeta.