REFLEXÕES EM TORNO DO MASSACRE DE PARIS, EM TORNO DO CINISMO DA POLÍTICA OCIDENTAL – A FRANÇA ESTÁ EM GUERRA – POIS É VERDADE, MAS OLHEM QUE JÁ DESDE HÁ MUITO TEMPO… – por OLIVIER BERRUYER

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Selecção, tradução, resumo e adaptação por Júlio Marques Mota

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A França está em guerra – pois é verdade, mas olhem  que já desde há muito tempo…

Olivier Berruyer, –La France est en guerre” – ben oui, depuis longtemps, crétin…

 Les Crises.fr, 16 de Novembro de 2015

 

Evidentemente estou mesmo muitíssimo triste esta noite, evidentemente, com um pensamento de solidariedade para c0m  as dezenas de vítimas.

Tem-se ainda direito a partir de agora às  clássicas  cenas alucinantes sobre todas  as cadeias “de informação”, vector principal da difusão  do terror na França – cenas que deveriam provocar a imediata suspensão da carta de imprensa  dos jornalistas interessados.

Menção especial para o jornalista que tem andado aos berros esta noite gritando  “a França está guerra” – o que se confirma  facilmente, tendo em conta que temos andado a bombardear  desde há anos um bom número de países (Afeganistão, Líbia, Mali, Síria…).

Estamos em guerra? É verdade, até fomos nós que a declarámos…

Mas enfim, a verdade é que “a guerra” só começa quando há mortes em França, nunca quando se matam pessoas (que são com efeito “não-pessoas”) no estrangeiro – mesmo quando são vítimas inocentes colaterais. Por acaso um cretino até disse que Obama é “o chefe do mundo livre”, e nós pensamos estar a sonhar perante tanta  estupidez. Deixo-vos a ler os recortes seguintes.

Setembro de 2014: bombardeamentos ao estado islâmico no Iraque:
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(um espanto…) Setembro de 2015, bombardeamentos ao estado islâmico na Síria:

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Notará-se também que, no século XXI  a França está “em guerra” quando ela é atacada por uma multidão de, o quê,  10 pessoas? Isto mostra a fragilidade das nossas sociedades. 250.000 mortes na  Síria, devido às nossas políticas ocidentais delirantes para nos lembrarmos …

Para dizer-vos todo, estou particularmente  comovido  porque estava num bar dos  Les Halles   à Paris esta noite, de onde partir pelas  22:15, em que com a   última pessoa a  quem falei era um leitor do blog  com quem me cruzei por acaso, falámos de  geopolítica, da Síria, dos perigos da nossa política externa, e que, verídicas, as minhas últimas palavras com ele a propósito do terrorismo, foram :  “há um truque que me  surpreende e me deixa sempre satisfeito,  é que ainda não veio ao espírito dos terroristas de enviar para aqui  20 a  50 que  armados de kalachnikov passam a disparar regularmente  sobre a multidão, um terrorista todos os dias, isto   abateria provavelmente a democracia na França em poucas  semanas.” Imaginem  por conseguinte o meu terror e a minha emoção alguns minutos depois…

Imaginem pois a minha cólera contra, certamente os assassinos, mas igualmente contra os nossos líderes, que voltam a aparecer geralmente   com um ar triste  dizendo  “Que  horror, mas porque é que nos atacam,  uma vez que não fizemos nada de mal…”. Sobretudo quando desde há meses que se fala da Síria  e dos perigos que estavam a ser criados.

Tranquilizemo-nos:  o ministro Cazeneuve não se irá demitir  provavelmente (teve êxito em  proteger muito bem Charlie Hebdo), Fabius também não (“Al-Nostra, que bom trabalho”), e pedir-nos-ão  que nos juntemos todos atrás de  François Hollande, ao qual  uma comissão de inquérito parlamentar não incomodará  quanto à entrega de armas à Siria para combater Assad, que nunca nos fez nada .

Oh, imagino também que nos irão pedir que nos manifestemos no  Domingo – bom, coragem,  isso foi super – eficaz da última vez.

Falar-nos-ão da sacrossanta    “união nacional” –  que procurará branquear todo o pessoal político – chuut, não se fazem perguntas.

Gritar-se-á por mais meios policiais  – depois disto, é necessário assaltantes exactamente é necessário apanhar os assaltantes  que estão  armados e de automóvel – demasiado fácil.

Espionar-se-ão mais ainda os cidadãos – isto funciona bem, a prova.

Não se dirá nunca , isso não, que evidentemente  não há  quase nada  a fazer para impedir terroristas determinados a agir nestas condições bastante “simples”. E que a boa solução é antes impedir estes homens de se tornarem terroristas, e que para isso  é necessário ter políticas estrangeiras honrosas e humanas. Notar-se-á que, “estranhamente”, os terroristas  nunca visam  a Suíça…

E SOBRETUDO não  se pedem contas aos   nossos dirigentes políticos .

Les crises-fr. La France est en guerre” – ben oui, depuis longtemps, crétin…Texto disponível em :

http://www.les-crises.fr/la-france-est-en-guerre-ben-oui-depuis-longtemps-cretin/

 

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