EDITORIAL – O MAIOR TERRORISMO

logo editorial

O terror(ismo) é uma arma insidiosa devido à maneira como actua sobre as pessoas em geral. Quando se sentem abertamente expostas às suas manifestações elas tendem a fazer sem reserva aquilo que delas se pretende. Quando se lhes garante um pouco de segurança, tendem a reagir organizadamente contra quem as ameaça, ou pelo menos contra quem julgam que as ameaça. Ou procuram que alguém reaja por elas. São reacções humanas, tem de se reconhecer, derivadas dos instintos de sobrevivência e de defesa, inatos em todos nós. Quem detém o poder e não tem escrúpulos, conhece estes fenómenos, e procura tirar partido deles. Infelizmente, isto passa-se constantemente. Recusamo-nos neste editorial a dizer que acontece sempre, talvez por uma questão de esperança.

Os bombardeamentos sobre a Síria, o Médio Oriente em geral e noutros lados são um erro medonho. Servem sobretudo para assustar as populações que ali vivem e predispô-las ainda mais a fugirem ou a lutarem contra o ocidente. Um número considerável optará pelas duas coisas. Entretanto, os líderes do mundo ocidental (incluindo agora a Rússia) procuram com o recurso à bomba e ao míssil resolver os problemas dos seus países (e ainda mais os seus próprios), sem alterarem os dados fundamentais da questão. Não querem colocar tropas em combate directo no terreno, para não agitar as suas opiniões públicas internas, é a única limitação que têm tido ultimamente nas suas opções. Em contrapartida, os bombardeamentos redobram em violência, com efeitos incalculáveis. Após a França, onde Hollande procura mostrar grande vigor contra os jihadistas, em bombardeamentos na Síria e no securitarismo (perdoem o galicismo) agravado a nível interno, talvez recordando Margaret Thatcher e a guerra das Malvinas, o Reino Unido e a Alemanha também se juntam à campanha. Assim os seus líderes não deixam sós na cena os Estados Unidos e a Rússia, e talvez ainda consigam que alguns os considerem, a eles, como políticos de primeiro plano.

Não têm sido encaradas com seriedade e coerência questões fundamentais como o impedir que armas  de todo o género cheguem às mãos de combatentes e terroristas, esclarecer como se processa o recrutamento de jihadistas por todo os lados, perceber quais são as motivações de tantos candidatos a esta horrível opção de vida, e entabular negociações  para resolver  de vez os problemas que afectam as populações do Médio e Próximo Oriente, e de regiões contíguas, que vão desde os negócios do petróleo,  até os vergonhosos conflitos que atormentam  as populações daquelas regiões, (Palestina, Somália, Iémen e tantos outros), e que obviamente nunca foram tratados como o deviam ter sido. Estas questões, estes conflitos arrastam-se há largos anos porque há quem impeça o seu devido encaminhamento e a sua resolução. Os defensores do modo de pensar TINA (there is no alternative) encobrem interesses obscuros que procuram manter o sistema de austeridade e da bomba como resposta para todos os problemas. São esse modo de pensar e esse sistema que temos de vencer.

Propomos as leituras seguintes:

http://www.dn.pt/mundo/interior/exrefem-do-estado-islamico-diz-que-bombardeamentos-sao-uma-armadilha-4913681.html

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/12/03/actualidad/1449153297_886775.html

http://www.esquerda.net/artigo/corbyn-diz-que-resposta-militar-na-siria-pode-agravar-conflito-e-provocar-mais-dor/39631

http://www.theguardian.com/politics/2015/dec/03/uk-syria-airstrikes-isis-no-coherent-plan

http://www.theguardian.com/politics/2015/nov/21/jeremy-corbyn-paris-attacks-must-not-draw-us-into-cycle-of-hate

 

Leave a Reply