REFLEXÕES EM TORNO DO MASSACRE DE PARIS, EM TORNO DO CINISMO DA POLÍTICA OCIDENTAL – VENCER O TERRORISMO… EM NOME DA NOSSA CIVILIZAÇÃO – por JOSÉ CASTANO

terrorismo - I

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Vencer o Terrorismo – em nome da nossa civilização

José Castano, VAINCRE LE TERRORISME…au nom de notre civilisation

Revista Metamag, 14/11/2015 

“A experiência das últimas gerações convence-me plenamente de que só a inflexibilidade do espírito humano, firmemente apetrechado intelectualmente, enfrentando a frente movediça das violências que nos ameaçam e pronto ao sacrifício e à morte proclamando: “Nem um passo mais!”, de que só esta inflexibilidade do espírito assegura a verdadeira defesa da paz do indivíduo, a paz de toda e qualquer humanidade. “(Alexandre Soljenitsyne)

Quer sejam integristas, fanáticos religiosos ou anarquistas, os terroristas apregoam a violação da sociedade, e, por conseguinte, não poderão ser tratados como adversários regulares. Porque “querer dar às coisas o sentido dos seus desejos é a pior forma de disfuncionamento dos espíritos ”. Assim se exprimiu Bossuet numa das suas previsões com o sentido lírico das suas visões grandiosas.

O carácter de extrema gravidade que reveste o terrorismo internacional fez da França uma das suas placas rotativas e coloca-nos na obrigação de reagir com firmeza contra todos os que tentam fazer do nosso país “um campo de tiro ” do terrorismo, o seu o seu refúgio ou o seu “laboratório de experiências” revolucionárias… tanto mais que estas acções terroristas implicam necessariamente uma cadeia de conivências e de apoios logísticos sobre o nosso solo e uma preparação meticulosa.

Contudo, a nossa ordem jurisdicional actual está mal adaptada à acção repressiva que a sociedade deve exercer contra os criminosos que põem em causa a sua legitimidade. Em frente de um tal perigo, a reacção deve não somente adaptar-se ao adversário voltando contra os terroristas o conselho de Lénine: “Não os deixem nunca constituir-se em Vendeia”, mas conduzir também a que se ganhe uma tomada de consciência popular. À estratégia de desestabilização dos terroristas, a Nação deve responder “por uma estratégia de repulsa”. Esta estratégia implica em primeiro lugar o controlo estreito das comunidades estrangeiras no país, a fim de prevenir o prolongamento sobre o nosso território de lutas externas, por conseguinte: protegermo-nos de um terrorismo por “vasos comunicantes” ou por osmose.

A aposta feita com a aplicação do plano “Sentinela” que mobiliza actualmente 10.000 homens sobre o território nacional (e isso por tanto “ tempo quanto a situação o exigir (sic)” precisou o ministro da Defesa – o que pode traduzir-se, como foi já o caso com o plano Vigipirate, pela manutenção definitiva do dispositivo – não poderia ser a solução ideal porque encarar a mobilização dos nossos soldados (alojados além disso em condições precárias enquanto que “os sem papéis” beneficiam de quartos de hotéis) o tempo que for preciso não é a missão dos exércitos. Um soldado é preparado para fazer a guerra; não tem nenhuma formação de polícia e não é a sua vocação. Poder-se-á pois mantê-lo, indefinidamente, em missões estáticas limitando a sua tarefa a um papel de vigia ou de elemento “supletivo das forças de polícia” sob pena de o desgastar, de o desmotivar e, por conseguinte, de corroer o seu potencial de combate.

À guerra revolucionária ou “guerra santa” preconizada pelos islamitas, devemos opor a guerra popular total ou guerra de libertação nacional. Em face de uma ameaça terrorista, é necessário fazer a escolha essencial que se impõe e daí tirar todas as consequências; agir sem estar a esquecer a fé formulada por Engels: “Nunca brincar com a insurreição armada e, quando a começamos devemos levá-la até ao fim ”. A França está aos olhos do Islão uma área de guerra, “ dâr al-harb”, e deve tratar este último da mesma maneira que este a trata.

Não chegaremos provavelmente – apesar de toda a firmeza – a reduzir totalmente as acções criminosas mas seria possível limitar o seu número pela criação de um órgão jurisdicional e de tribunais de excepção idênticos aos criados pelo regime gaulista durante a guerra da Argélia a fim de erradicar o OAS… e que levou com firmeza ao poste de execução quatro soldados franceses, dos quais dois deles eram oficiais.

Dado que isso foi realizado contra patriotas cujo único crime foi o de querer conservar a Argélia francesa, porque é que este órgão jurisdicional não seria reconduzido contra os inimigos da França reconhecidos culpados por terem sacrificado vítimas inocentes? Desde então, o restabelecimento e a aplicação imediata da pena de morte esta seria então publicamente utilizada quando houvesse razões para tal. Quem matou deve ser morto! O horror do mal é, de facto, o princípio da justiça. Deve ser imposta como uma regra imperativa, porque é a nossa própria razão. “A lei, em geral, é a razão humana – dizia Montesquieu- tanto quanto ela governa todos os povos da terra”…

As meias-medidas , como é actualmente o caso, não levam a nada porque os vícios não punidos crescem até ao infinito. Mas punir o culpado, condená-lo à morte ou infligir-lhes uma sanção à altura dos seus crimes, só faria – na nossa sociedade emoliente, indiferente, conservadora – com que se revoltassem as consciências “do bem-pensar ”, das associações “humanitárias ” e se provocasse a cólera dos islamo‑compatíveis saídos da esquerda bobo-caviar e da direita capitulacionista e titubeante sempre rápida em brandir o cartão vermelho em nome do seu angelismo republicano.

Dostoïevski escrevia já, “na lenda do Grande Inquisidor ”: “Quem gosta demasiado da humanidade em geral é em grande parte incapaz de gostar do homem em particular. Quem tem tido demasiada pena do malfeitor é muito frequentemente incapaz de ter pena da vítima”. E o drama actual é que as nossas sociedades envelhecidas proibem-se o uso de meios coercivos. Acumularam lentamente durante uma longa procissão de séculos, as regras, as precauções e as proibições destinadas a proteger a ideia que elas faziam da civilização. Imaginaram que fazer correr a sabedoria através das suas leis … codificando a indulgência e a medida, para defender o homem contra ele mesmo. Preocupadas em exorcizar a violência que borbulha sempre confusamente através de instintos mal dominados, foram conduzidas naturalmente a proibirem a única forma de violência sobre a qual podiam ter o seu controlo : a cruel mas indispensável gama das punições que pretendem menos punir o crime que desencorajar o criminoso.

Negligenciando esta suprema aposta de que nos fala Aristóteles “Tolerância e apatia são as últimas virtudes de uma sociedade que morre”, elas inventaram um arsenal de repressão humana concebida à exacta medida de culpados considerados como “extraviados” ou “desequilibrados”. Ora, não se combate terroristas com simples leis. Deve-se adoptar uma resposta adequada a fim de os bloquear no seu impulso de veleidades e de agressividades. “Mais o Estado está corrompido, mais as leis se multiplicam” clamava Tácito, este historiador e senador da antiga Roma.

A França vive sob ameaças cada vez mais recorrentes que não se podem conter somente pela força da lei. “Os Franceses vão ter que se habituar não à ameaça dos atentados, mas à realidade dos atentados que vão, no meu ponto de vista, inevitavelmente ocorrer. Estamos doravante no centro do ciclone, o pior está à nossa frente ” declarou em “Ouest France”, a 14 de Novembro de 2015, o juiz Marc Trévidic.

Com efeito, a França é confrontada com um dos mais graves perigos da sua história e não deve embaraçar-se com preconceitos para tomar as medidas adequadas a fim de assegurar a sua própria sobrevivência. “O que se inclina face às regras estabelecidas pelo inimigo nunca vencerá ” argumentava Léon Trotski.

Quando a liberdade é frágil, quando está em perigo, então não se transige e Saint-Just anuncia nestes termos a repressão sangrenta dos movimentos contra-revolucionários e monarquistas durante a Revolução: “Não há liberdade para os inimigos da liberdade! ”. Era, é certo, o Terror mas esta famosa citação está cheia de actualidade.

Hoje, embaraçada nas suas regras, nos seus decretos e nos seus escrúpulos, aí está a civilização paralisada pelos dogmas que a fundamentam e as leis que a defendem, que não pode transgredir sem se estar a negar. E eis os bárbaros – fortes desta segurança – que espalham o seu terror querendo tudo destruir, tudo arrasar para tudo recomeçar sobre os restos de um passado que eles odeiam porque não o compreendem. E tentam impor a sua lei pelo assassinato e pelo terror às sociedades que souberam dissipar estes pesadelos desde há já tanto tempo que não imaginariam nunca mais como possível o seu eventual regresso. Eis que conectados pelas regras que acumularam para se defenderem contras os excessos da sua própria cólera, as sociedades estupefactas abandonam-se aos golpes que lhes aplicam cóleras desconhecidas… E eis que está a desabar a civilização porque os bárbaros extraem no seu refinamento, as suas complicações e a sua indulgência, a única força que torna os seus excessos irresistíveis. Estes bárbaros voltam naturalmente a terem o prazer de degolar sabendo como será tímida a repressão. Nunca as paixões desenfreadas fizeram tantas devastações… nunca semearam tantas mortes… nunca se assassinou tantos homens em nome da felicidade da humanidade… Nunca a palavra de Malaparte foi tão justa como agora: “Nunca se atiraram tantos Cristos para as valas comuns do mundo”.

E nós, pobres ocidentais, estamos em vias de perder esta final guerra que nos é imposta porque irremediavelmente condenados a capitular… em nome da defesa da civilização que não é outra coisa senão um suicídio na frente de um assalto que nega o que é o essencial.

Soljenitsyne escreveu: “ Toda a nossa vida ali nos ensinou que só há um meio possível para nos opormos à violência: é a firmeza!”

Na luta contra a subversão e o terrorismo, nada é mais importante que a aplicação de uma política de defesa preventiva firme e impiedosa em relação aos adversários da Nação. Aqueles que semeiam o vento devem colher a tempestade.

José Castano, Revista Metamag, VAINCRE LE TERRORISME…au nom de notre civilisation. Texto disponível em :

http://www.metamag.fr/metamag-3353-VAINCRE-LE-TERRORISME-au-nom-de-notre-civilisation..html

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