Continuando hoje, hereticamente, seguindo na linha do editorial de ontem, pondo em causa «ideias sagradas», como sendo a do valor sacrossanto do trabalho e a do direito das classes trabalhadoras à condução dos governos, acrescentamos um facto ao que ontem dizíamos -não nos ocorre o nome de qualquer teórico revolucionário que tenha forjado a sua cultura proletária ou camponesa nos locais próprios – as fábricas e os campos – Marx, Engels, Lenine, Trotsky… consolidaram as suas teses revolucionárias estudando a vida dos oprimidos, mas fizeram-no situados no seio de estratos privilegiados. estudando em universidades burguesas, tendo acesso a meios de desenvolvimento cultural vedados aos explorados.
Isso não retira nem mérito nem razão`, quer à sua obra teórica, que à sua praxis. Mas permite concluir que a classe operária nunca teve meios para criar a sua própria intelectualidade. E, como dissemos ontem, há uma pista a seguir – a moeda, o papel moeda – o capital.
Basear a economia em tal suporte conduz ao que aconteceu na União Soviética e parece estar a ocorrer na China Popular – a destruição do capitalismo, substituindo-o pelo capitalismo do Estado. O capital deixa de ser posse de famílias e passa a ser do povo. Pelo menos teoricamente é assim. Os cidadãos são os donos da riqueza acumulada. Todos iguais.
Mas uns mais iguais do que outros, porque o capital e a ambição, que são imagem de marca da desgraçada sociedade em que vivemos, põem em carne viva a pureza das ideias, a limpidez da solidariedade e os esboços de humanidade que a História regista. Porque a nossa espécie ainda não se libertou da herança animal. Somos seres inteligentes e racionais. Mas humanos?…

Continuando hoje, hereticamente, seguindo na linha do editorial de ontem, pondo em causa «ideias sagradas», como sendo a do valor sacrossanto do trabalho e a do direito das classes trabalhadoras à condução dos governos, acrescentamos um facto ao que ontem dizíamos -não nos ocorre o nome de qualquer teórico revolucionário que tenha forjado a sua cultura proletária ou camponesa nos locais próprios – as fábricas e os campos – Marx, Engels, Lenine, Trotsky… consolidaram as suas teses revolucionárias estudando a vida dos oprimidos, mas fizeram-no situados no seio de estratos privilegiados. estudando em universidades burguesas, tendo acesso a meios de desenvolvimento cultural vedados aos explorados.