SINAIS DE FOGO – MOURINHO ARRASA DESPEDIMENTO COLECTIVO – por Soares Novais

sinais de fogo

Foi na quinta-feira que Roman Abramovich, o oligarca russo que é dono do londrino Chelsea, mandou anunciar a dispensa de Mourinho(1). E foi nesse dia, também, que a construtora “Soares da Costa” deu a conhecer o despedimento de 500 trabalhadores (2). Tal não preocupou a generalidade dos indígenas, dos mais notáveis aos mais simplórios. O despedimento que interessou foi, isso sim, o do auto-denominado “special one”.

As televisões generalistas abriram os seus “jornais” com a saída de Mourinho e os canais por cabo promoveram debates sobre o tema. Durante horas a fio não se falou de outra coisa e muitos dos comentadores da tevê travestiram-se de Maya para anunciar que “o futuro de Mourinho” passará pelo parisiense PSG, por um dos dois clubes da inglesa Manchester ou pelo seu regresso ao Real Madrid.

Sobre o despedimento colectivo, naquela que já foi a maior construtora do país, pouco ou nada foi dito. Umas imagens fugazes da concentração dos trabalhadores à porta da empresa e uma ou outra notícia a duas ou três colunas bastaram para a esmagadora maioria dos chamados Órgãos de Comunicação Social (OCS) dar como cumprida a sua missão de informar.

Tão ensurdecedor silêncio é exemplo seguro do estado a que chegou a Imprensa. E do estado de imbecilidade colectiva que se vive no país e no mundo.

Uma imbecilidade colectiva que muito deve àquilo que a televisão, a rádio e os jornais servem. Por ordem directa dos seus patrões.

Patrões que há muito correram com a consciência critica das redacções e a substituíram por cãezinhos de colo. Submissos e veneradores.

  1. O despedimento de Mourinho já há muito que era anunciado. O treinador auferia mais de 340 mil euros a cada 7 dias e na sua conta acaba de cair uma indemnização euromilionária. Um “camião” de dinheiro oferecido por um russo acusado de traficar diamantes de Angola e de ter colaborado com Yeltsin no desvio de 4,8 bilhões de dólares doados pelo Fundo Monetário Internacional à Rússia em 1998.

  2. A esmagadora maioria dos 500 trabalhadores despedidos pela “Soares da Costa” têm ordenados e subsídios em atraso. Muitos trabalhavam em Angola e nos últimos meses viveram situações dramáticas.

A tempo: Questionado sobre o caso Banif disse o dr. Cavaco: “É preciso medir bem as palavras quando se fala do sistema bancário, porque o seu funcionamento é decisivo para o funcionamento da nossa economia. O bom senso e o conhecimento das funções do sistema bancário aconselham muito cuidado nas palavras que se pronunciam em público.Nenhum dos jornalistas que tal ouviu lhe lembrou aquilo que disse, em relação ao banco liderado pelo dr. Ricardo Salgado, no dia 21 de Julho de 2014: “Os portugueses podem confiar no BES.” E das duas uma: ou, nesse dia, não mediu bem as suas palavras; ou, afinal, tem fraco conhecimento das funções do sistema bancário. Felizmente, a 24 de Janeiro próximo celebraremos o fim do cavaquismo.

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