DA FOTOGRAFIA AO AZULEJO, ATÉ DIA 28 DE FEVEREIRO, NO MUSEU NACIONAL SOARES DOS REIS, PORTO

Da fotografia ao azulejo – Povo, monumentos e paisagens de Portugal na primeira metade do século XX.

10 de Dezembro – 28 de Fevereiro 2016
Museu Nacional Soares dos Reis. Porto

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Da fotografia ao azulejo. Povo, monumentos e paisagens de Portugal na primeira metade do Século XX Museu Nacional de Soares dos Reis.

Comissário: José Luis MINGOTE CALDERÓN

Portugal é sinónimo de azulejo para muitas pessoas que o visitam. A sua presença em inúmeros lugares e a sua riqueza artística fizeram com que se tornasse num elemento simbólico que representa o País perante o mundo. Os painéis com motivos fabricados na primeira metade do século XX concentramse fundamentalmente nos locais públicos como estações de comboios, mercados, diversos tipos de estabelecimentos comerciais, praças, fontes, câmaras municipais, matadouros, etc., bem como em casas particulares da alta burguesia, em igrejas ou quartéis. A sua iconografia abrange uma ampla gama de temas que vão das paisagens e dos monumentos às imagens de um povo maioritariamente campesino e pré- industrial, passando pelos motivos históricos e, em menor escala, por obras públicas da modernidade, à qual se adiciona a temática religiosa ou militar. Através dos primeiros, surge a criação gráfica de um país num tipo de suporte com uma longa tradição. A imagem do país apresentado constrói-se através da cópia de fotografias que inundam os meios de comunicação da época: os livros ilustrados, as revistas ou os postais. Estas fontes iconográficas são o motivo central da exposição que coloca em paralelo os originais e as cópias com a finalidade de mostrar, tanto a versão moderna da antiga forma de trabalho dos pintores de azulejos -que substituíram as gravuras pelas fotografias-, como de salientar o peso da modernidade gráfica que marca todo o século XX. A cópia de um amplo corpus com mais de 800 painéis é realizada de formas muito diversas, que vão desde a fidelidade absoluta até à alteração radical, num exercício que hoje parece um antecedente dos modernos tratamentos informáticos das imagens. O conteúdo temático mostrado pelos painéis reflete a ideologia nacionalista que é apresentada, na primeira metade do século XX, sob envolturas políticas enfrentadas: desde uma monarquia católica até uma ditadura, passando por uma república laica. O passado glorioso e o povo campesino, “alma da nação”, juntamente com o progresso, definem/criam um país cuja imagem se constrói principalmente desde o final do século anterior. Como não podia deixar de ser, as iniciativas oficiais encontram-se por trás do embelezamento dos espaços públicos, agindo como autênticos cartazes turísticos de propaganda da região ou do país, que proporcionam simultaneamente imagens do seu passado glorioso. Com a sua continuidade e repetição vão-se delimitando os tipos e os arquétipos, locais e nacionais, que hoje em dia todos temos nas nossas mentes

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