AS PALAVRAS TAMBÉM FAZEM REVOLUÇÕES por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Cada vez é mais difícil sermos nós próprios, ou nós próprias.

Somos pessoas com pensamentos originais, porque nossos, mas não sei se por razões de “receio” ainda salazarista, poucas são as pessoas que se dizem como são no campo das suas ideias políticas, ou seja dos seus ideias. Tudo, como sabemos, tem antecedentes e precedentes políticos.

Não gosto do Zeca Afonso porque numa determinada altura, e entre determinadas pessoas que se diziam apenas democratas, as suas palavras e notas musicais nos inflamavam a alma, nos faziam agitar bandeiras e cerrar os punhos em gesto de vencedor…

 As conotações com decisões abruptas, em termos políticos e sociais, estavam mais distantes nos que se diziam democratas do que naqueles que se auto proclamavam comunistas, socialistas, maoistas, esquerdistas…

Não, a minha admiração por Zeca Afonso vem de um pensamento político que se revela e se revolta contra as injustiças sociais, de um pensamento político que sabe aliar a arte, esse encantamento de ver o mundo, com o sangue, com as lágrimas de raiva, com as dores insuportáveis da tortura, com a falta de liberdade.

E porque estou a pensar nesta característica humana, que varre qualquer classe social, qualquer tempo histórico? A Humanidade sabe aconselhar o outro mas é-lhe mais difícil modificar-se em outro, favorecendo, se assim fosse, o nós, num diálogo intercultural, interpessoal…

Estamos em campanha eleitoral e choca-me ver todos os candidatos servirem-se desde a entrada até à sobremesa, de números de pobreza, de reprovações escolares, de mortos nas estradas, de refugiados, de sem-abrigo para atacarem quem vem detrás, muito detrás…

Choca-me ver todos os candidatos a dizerem e a dissertarem sobre as políticas erradas dos outros candidatos, e dizerem “comigo isso seria diferente…”.

Sim acredito que haja um candidato em que a sua presidência seria diferente, mas porquê? O que tem de diferente? Porque se diz que há reprovações a mais, porque se culpa a ineficácia de alguns atendimentos hospitalares?

Gostaria que dissessem o que sentem, mais do que aquilo que viram fazer.

Sou professora e toda a minha vida profissional se apoiou no que já havia sido feito de bom e de mau, mas apontar e trilhar caminhos para o sucesso, não ter medo de dizer que um dos grandes objectivos de qualquer aula era que os alunos se soubessem cumprimentar, a eles e aos adultos.

A escola Pública precisa de muito alento para vencer a imagem tão negativa que a coligação conseguiu fazer dela como ninguém o tinha feito antes.

Não quero um presidente para lamentar a crise, quero um presidente que explique qual o seu papel de influência, junto das instituições, para que todos, para que TODOS, possamos acreditar que não se nasce para viver em privação.

Um presidente que saiba o que se passa em Rabo de Peixe (S. Miguel/Açores) ou em Lisboa) e pressionar quem de direito para ultrapassar as dificuldades. Se não há leis adequadas às realidades façam-nas.

No dia 24 outra estrela brilhará ao compasso da felicidade dos cidadãos, não só no que lhes é reposto de essencial para uma vida digna, mas também do conhecimento, da sabedoria, da ciência, da arte, da música, da literatura, da educação, da saúde, da habitação…da VIDA BOA.

Não há que ter medo das palavras.

Lembram-se que antes do 25 de Abril eram muito poucas as que ousavam dizer liberdade?

As palavras também fazem revoluções.

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