1. Colónia, onde estão os homens?

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

O silêncio na Alemanha – que aconteceu em Colónia

1. Colónia, onde estão os homens?

O direito à mini-saia não é negociável
Elisabeth Lévy, revista Causeur.

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O partido da recusa ultrapassou-se. Duas semanas após a noite de motim sexual que conheceu Colónia na noite de São Silvestre, liguem-se sobre Canal +, Arte (hilariante) ou France Inter: ouvirá dizer que o perigo desta noite, uma noite de pesadelo, poderia despertar sentimentos anti-imigrantes – certamente querer-se-ia que os Alemães, conscientes das suas responsabilidades históricas, se considerassem desolados por terem levado os infelizes a esta situação e que prometem acolher mais ainda.

Face a um crime de uma tal amplitude e de um enorme e devastador alcance simbólico, é difícil apagar os factos; satisfazem-se por conseguinte em passar por cima para chegar às suas deploráveis consequências sobre os espíritos já muito dados à posições de direita. Um método ilustrado, por exemplo, por este título da AFP do 12 de Janeiro: “Alemanha: temor de uma vaga xenófoba depois das violências de Colónia”. Alain Finkielkraut teve razão em recordar sobre RCJ, no domingo passado, que o risco de amálgama era bem real. Nem todos os requerentes de asilo são violadores. Mas é tentando dissimular a realidade que nos alimentamos de fantasmas. E a repetição de mesmas cenas, da Praça Tahrir no centro de cidades europeias, permite pelo menos questionar se não há uma relação entre este desencadear de pulsões e a visão que muitos homens, nas sociedades árabes de matriz muçulmana, têm das mulheres, e pior ainda, das mulheres infiéis.
No entanto denunciou-se abundantemente todos os que poderiam estabelecer uma relação entre o crime e a origem dos agressores, ou seja mais ou menos todos os que se obstinam em ver o que eles vêem: homens de cultura muçulmana – que eles tenham estado ébrios como uns odres não muda nada ao problema – atacaram em bando mulheres ocidentais. E pede-se-lhes com um ar pesaroso que pensem se tudo isto não é fazer o jogo da extrema direita. Como o confessou ingenuamente um jornalista de France Inter, esta noite de rapina assemelha-se fortemente a um fantasma de extrema-direita.

De passagem, fica-se a saber que a polícia sueca escondeu agressões do mesmo tipo há dois anos. E descobre-se que, um pouco por toda a Europa, se prefere frequentemente desviar o olhar ou minimizar o que se vê quando imigrantes cometem crimes, em especial os crimes sexuais. O mais espantoso é que estas manipulações elas mesmas fizeram também pouco barulho. Imaginemos que se tenham dissimulado crimes cometidos por skinheads, e quase toda a gente estaria disposta a manifestar-se contra uma Europa policial.

Muitas pessoas se comoveram além disso com a fraqueza dos protestos feministas. Pelas feministas que ouvi, é sobretudo o seu condensado de burrice e de cobardia que me espantou. Alguns choros profissionais sobre o destino das mulheres, entre os quais os da inefável Caroline de Haas, decidiram que a cegueira era um dever moral. O patriarcado não tem cor, dizem-nos estas galinholas. Com efeito, para elas, existe um e um só responsável o macho branco. . É assim que em France Culture, se falará da questão de Colónia ao longo do dia, como sendo um dia contra o assédio sexual , por fim contra o assédio sexual particularmente no metro onde parece que todas as raparigas, excepto eu, andam com as mãos coladas às nádegas (certamente, não tenho o ar de mulher elegante, e isso ajuda, sei bem que estas coisas existem e é nojento, mas lamento, isso não me parece tão grave como as violações étnicas a céu a descoberto.

Certamente, dizem-me que outras feministas não andaram a contornar a situação. Certamente, mas mesmo assim sentiu-se em muitas delas uma espécie de embaraço como se elas se reencontrassem de repente no campo errado. De toda a maneira, o que me preocupa é o silêncio dos homens. Onde estão, todos os que cantam a Marseillaise quando se violam as suas filhas e os seus namorados? Onde estão estes belos oradores que deveriam hoje jurar que defenderão a honra e a integridade das suas mulheres? Onde estão as tribunas e os tweets para dizer “não tenham medo pelas vossas filhas, estamos a defendê-las ! ”? Ou então, seremos levados a dizer que estes amadores de terrores sexuais ganharam, porque no próximo ano mais nenhuma mulher irá festejar a passagem do ano nas ruas das nossas cidades?

Pedir a protecção dos homens, é o coração do patriarcado, rir-se-ão aquelas que confundem homenagem e insulto, galantaria e opressão. Tanto pior, estas não compreenderão nunca porque é que Hume chamava à França “a pátria das mulheres”, nem que se fale do “belo sexo”. E depois de tudo, deixa‑se‑lhes de boa vontade todos os homens que a igualdade – a menos que isso seja a feminização – tornou incapaz de caçar o polvo, de reparar um chuveiro ou de serem capazes por de dar um murro.

Este atentado ao impudor (que começa por estes mentecaptos para quem o impudor começa por considerem inaceitável que uma mulher ande de cabelo solto), é um ataque contra os nossos costumes. É como mulheres ocidentais que somos, ou seja mulheres livres, que as alemãs foram atacadas. Espera-se que os homens ocidentais, independentemente das suas origens e das suas preferências sexuais, se levantem em massa para dizer que não transigirão com a liberdade e a segurança das mulheres. Ah, uma última precisão: nos nossos países não se defende a honra das mulheres cosendo-lhes o que está entre pernas nem se pondo cintos de castidade mas protegendo-as para que possam escolher livremente aqueles a quem se oferecem. Ainda por cima, com o direito de poder tentar seduzir todos os outros que bem lhes apetecer1.

 

Elisabeth Lévy, Cologne: où sont les hommes? Le droit à la minijupe n’est pas négociable. Texto disponível : http://www.causeur.fr/cologne-viols-migrants-feministes-36261.html

*Photo: Sipa. Numéro de reportage : AP21843556_000010.

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