3. Colónia, Paris: é cómica a tua Presidente!

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

O silêncio na Alemanha – que aconteceu em Colónia ?

3. Colónia, Paris: é cómica a tua Presidente!
Anne Hidalgo é bem a imagem da sua homóloga Henriette Reker de Colónia

Régis de Castelnau, revista Causeur

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Sempre fui favorável à paridade em política e quereria saudar aqui os desempenhos recentes de duas personalidades à frente de duas grandes cidades. As senhoras presidente da Câmara Municipal de Colónia e de Paris acabam de se expor publicamente de uma forma bem impressionante. A senhora Henriette Reker em primeiro lugar, que dirige a cidade de Colónia, teatro de incidentes sérios durante a noite da Véspera de Ano Novo, onde apesar do black-out inicial dos meios de comunicação social franceses, se ficou a saber que “homens de origem estrangeira” em número próximo de um milhar, ao que parece, ter-se-iam entregue à certas familiaridades excessivas e não consentidas para com dezenas de mulheres: violências, roubos, apalpadelas e outras tentativas de violações. O que suscitou uma certa emoção, em suma, gerou-se um grande pandemónio. A Presidente Reker, cheia de boas intenções, enquanto que se exprimia em frente dos jornalistas, primeiramente mostrou-se indignada com a atitude das jovens vítimas que não teriam chamado a polícia “por medo de lhes roubarem os seus smartphones”. Insistiu seguidamente sobre as medidas de prevenção, convidando as jovens mulheres a terem um comportamento “mais apropriado ”, e preconizou a elaboração “de um código de conduta”. Antes de propor a utilização de uma técnica imparável: que as mulheres se mantenham à distância dos braços de um potencial agressor… Já se sabia que a jarda era a medida do braço do rei Henri Iº, mas a Presidente Reker refina ainda o método. Inútil descrever em que estado de êxtase se encontrou mergulhado imediatamente o planeta feminista. E, como é agora muito habitual, as redes sociais desencadearam com muita frequência um humor que consola. Sobre Twitter, com o hastag #einearmlaenge, encontram-se algumas dessas pérolas em que a minha preferida é esta.

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Provavelmente estimulada pelas proezas da sua colega germânica, Anne Hidalgo decidiu não lhe ficar atrás. Em primeiro lugar, anunciou com grande alarido e no âmbito das cerimónias do primeiro aniversário, a inauguração pelo Presidente da República de uma placa comemorativa do massacre de Charlie Hebdo a 7 de Janeiro de 2015. Tripla catástrofe que diz bem sobre o nível das pessoas que rodeiam a senhora Presidente Hidalgo. Em primeiro lugar, o imperdoável erro de ortografia sobre o nome de Wolinski. Naturalmente, a única defesa do gabinete foi dizer que se tratava de um erro do artista que gravou os nomes no mármore, sem que simplesmente se esteja a imaginar um espírito de responsabilidade elementar que impunha verificar a placa antes de ser posta. O texto da própria placa, onde estão misturados sem nenhuma ordem os nomes e os pseudónimos. Charb ao lado de Bernard Maris cujo nome de escritor era “Oncle Bernard”, Cabu ortografado sem t, enquanto que Wolinski se sentiria de forma bizarra a utilizar o seu prenome… Não importa o quê. Como privar de sentido um símbolo no entanto importante. Mas pior ainda, enquanto que há sobre esta placa, e com razão, o nome do polícia Franck Brinsolaro, está ausente da placa o nome de Ahmed Merabet que o mundo inteiro viu ser abatido como um cão sobre um passeio, enquanto que fazia o seu dever, enfrentando os assassinos do massacre de Charlie. Não é um esquecimento, é uma escolha dado que o sacrifício de Ahmed Merabet foi objecto de uma placa colocada no lugar onde tombou. Separado dos outros na homenagem. Múltiplos ímpares que desqualificam estes comunicantes remunerados cuja ignorância e desenvoltura acabam por ser um verdadeiro insulto. Felizmente, um artista de rua colou-se e realizou sobre um pequeno transformador deste passeio, e na presença da família e dos colegas de Merabet, uma magnífica pintura em três cores. Houve no principio desta manhã sob uma chuva forte, muitas flores, as pessoas paravam para respeitar este herói ou para fotografar . Isto consolou-me.
Morte de Ahmed Merabet : C215, pintor de street art, conta o seu retrato do polícia heróico

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Mas rapidamente voltei à realidade por um tweet da Presidente Hidalgo que é imperativo citar na íntegra : “#Paris, amanhã criaremos uma brigada de apoio específica para os migrantes em situação de rua. ” Parece que devido aos muitos sarcasmos sobre as redes sociais, este concentrado de calão aterrador deixou de estar disponível e que nos contentemos com uma imagem de ecrã. Certamente há o precedente de Talamoni, com o seu discurso em patoás na Assembleia de Córsega, mas Presidente Hidalgo, isto não é uma razão para não respeitar o artigo 2 da Constituição que faz do francês a língua da República. 1
Não nos queixemos demasiado, esta nova projecção permitiu aos humoristas de Twitter – e há-os excelentes – ficarem muito contentes. Do que mais gostei foi o que propôs à Senhora Reker, presidente da Câmara Municipal de Colónia, que se inspirasse na sua colega parisiense para tranquilizar a sua população feminina com o tweet seguinte: “#Colonia amanhã criaremos uma brigada de apoio especifica para os migrantes em situação de cio.”

Régis de Castelnau, Revista Causeur, Cologne, Paris: comique ta maire! Anne Hidalgo vaut bien son homologue Henriette Reker. Texto disponível em : http://www.causeur.fr/cologne-paris-anne-hidalgo-charlie-36150.html

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