O TEMPO É DIFERENTE por Luísa Lobão Moniz

 

olhem para  mim

Começa-se a viver um tempo diferente na Educação, a partir das últimas eleições legislativas. O tempo é diferente, está renovado, é diferente do anterior.

E não é novo porquê? Porque, e para só referir uma das medidas que muito agradou à comunidade educativa, foi o fim dos exames no 4º ano de escolaridade. Agradou e bem, pois a obsessão do examinar, raiava já o desejo de um determinado poder querer seleccionar, logo no fim do 1º ciclo de aprendizagens, os melhores para prosseguirem na escolaridade e serem os futuros decisores do país.

São os melhores porque sabem responder correctamente às perguntas dos testes dos exames. Os outros, os que sabem responder correctamente a outras questões, os que sabem levantar dúvidas, os que querem procurar outros saberes, esses engrossam as estatísticas das notas negativas.

São os melhores porque numa turma de 26 alunos são os que conseguem ter explicador para progredirem num ambiente de sala de aula degradado pelas faltas de condições mínimas para as aprendizagens.

São os melhores porque contrariam, o novo que foi, a introdução dos diferentes anos de escolaridade numa lógica de ciclo, porque contrariam as turmas + que davam mais a quem tinha mais dificuldade no processo de ensino-aprendizagem, contariam uma gestão democrática dos processos de aprendizagem…

A noção de Educação varia conforme as épocas, as culturas, as ideologias. O que temos vindo a assistir desde a Paixão de um governo pela educação é que, conforme o poder está na direita ou na esquerda, assim muda a legislação em vigor. E muda como? De acordo com as suas concepções de sociedade e de Homem.

É legitimo acreditar nas diferentes ideologias, mas a concepção de Homem não pode mudar ao sabor dos mercados, os valores pelos quais se regem as sociedades democráticas têm que ser os que conduzem o Homem a um maior conhecimento, a uma maior solidariedade, a uma maior aprendizagem da gestão a favor da Paz e da felicidade dos povos e não o contrário.

As mudanças são difíceis porque geralmente as comunidades não gostam de sair da sua conformidade com o presente em que vivem. Custa mudar, mas quando o sentimento de mudança começa a despontar há que dar a mão à mudança, se é que a desejamos. Não há que ter medo do diferente, mas é preciso acredita,r e quanto mais cultas forem as pessoas mais são capazes dessa mudança. Há que pensar a formação inicial e contínua dos professores e de todos quantos trabalham na Escola, a gestão democrática das escolas, dos Agrupamentos. Há que pensar em trabalho de esclarecimento aos encarregados de educação do porquê das mudanças. Que não se mude por moda ou por capricho mas por um conhecimento sustentado do que deve ser o devir.

 O processo de colocação dos professores tem que ser mais transparente e os critérios têm que ser melhor definidos.

Há tanto ainda a fazer…

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