O QUE CADA UM PODE FAZER COM OS SEUS SENTIMENTOS PERANTE A SITUAÇÃO DAS CRIANÇAS MIGRANTES DESAPARECIDAS? por clara castilho

Ouvimos e lemos as notícias das cerca de 10 mil crianças migrantes que terão desaparecido.

Ouvimos e lemos as notícias de como foram descobertas crianças, na Turquia, a serem exploradas em trabalho infantil, em empresas de grande renome.

Ouvimos e lemos as notícias de como essas crianças, que fugiram com familiares de situações de guerra intoleráveis, são usadas sexualmente, antes do tempo em que o despertar do corpo deveria acontecer, e numa situação de abuso e uso de poder.

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Ouvimos e lemos e não acreditamos. Sabemos da História, sabemos de outras situações, sabemos que, simultaneamente, pelo mundo fora outras graves injustiças acontecem.

E olhamos para a nossa vida e ficamos sem saber onde nos encaixamos, como devemos reagir, como continuar a fazer o mesmo no nosso dia-a-dia.

A somar a isto tudo, ainda soubemos que 20 crianças, acolhidas no centro de acolhimento para a criança refugiada, em Lisboa, mas desapareceram do rasto das autoridades! Faziam parte de um grupo de 27 que tinham chegado a Portugal sem família. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras pensa que em alguns casos estes desaparecimentos se devem a redes de tráfico humano com vista à exploração sexual noutros países europeus. Outras situações estão ligadas à imigração ilegal, em que os jovens usam o regime de asilo para garantir entrada no espaço europeu.

No ano de 2014, 182 pessoas (27 menores e 141 adultos) tinham sido sinalizadas em Portugal como vítimas de tráfico de seres humanos, segundo o último relatório estatístico do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH).

O Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas na Bela Vista abriu em 2012 e é gerido pelo Conselho Português para os Refugiados.

Somamos tudo, baralhamos, voltamos a baralhar e ficamos sem saber como aguentar.

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