A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Em termos de tradição próxima, penso que a poesia de Manuel de Castro, nas suas linhas essenciais, se situa na continuidade do surrealismo, no entendimento que era, por exemplo, o de um António Maria Lisboa, para o qual a obra literária não se esgotava na experiência estética, e, antes, se identificava totalmente com um destino, sua afirmação e realização. À semelhança do que se passa com outros seus colegas do Gelo, há no seu surrealismo uma componente trágica, que Cesariny, como sabemos, teve dificuldade em aceitar. Por outro lado, Manuel de Castro não deixa de dialogar, digamos assim, com orientações próprias do tempo que lhe coube, como, por exemplo, o experimentalismo e o que se tem designado como a orientação barroquizante de alguns poetas do período. Há, no livro inédito Chuva no dia de finados, um conjunto de textos apresentados como Poemas experimentaisŗ. É, por outro lado, visível em muitos dos seus textos o cuidado posto na factura do poema, o trabalho de linguagem, a preocupação de alcançar determinados efeitos rítmicos. Estou a pensar, para dar um exemplo, na preferência que manifesta em vários poemas pelo verso trimembre, assente em adjectivos que procuram traduzir a complexidade do que está a exprimir: (noite) estática rígida fantásticaŗ; tudo me é inodoro, insípido, insulso e está tudo informe, impuro, amalgamado.