O centro psiquiátrico de Willard em Finger Lakes, Nova Iorque, fechou em 1995.
Nessa altura, dois funcionários, Beverly Courtwright e Lisa Hoffman, encontraram uma porta escondida que levava à cobertura de um dos edifícios abandonados… Lá “jaziam” 400 malas, caixas e baús pertencentes a alguns dos numerosos pacientes que estiveram internados naquele asilo mental. Estavam organizadas em ordem alfabética e devidamente etiquetadas. E obedeciam a uma divisão: mulheres de um lado, homens de outro.
Ao darem entrada no centro, aos pacientes não foi permitido que eles mantivessem as malas com seus pertences em suas habitações
E assim podemos encontrar: Documentos, livros, fotografias, sapatos, roupas, pratos envolvidos em papel de jornal e outros muitos objectos pessoais.
A fotógrafa Lisa Rinzler escolheu dez malas e pesquisaram a história pessoal de cada um dos proprietários das mesmas, tratando de descobrir que motivos causaram sua internação no centro psiquiátrico. Daí saiu uma Exposição no New York State Museum em 2008, uma Exposição online e um interessante livro, The Lives They Left Behind: Suitcases from a State Hospital Attic. (“As vidas que eles deixaram para trás: As malas do sótão de um hospital psiquiátrico”).
A partir das fotografias tudo podemos imaginar. Gostaria de ter visto a exposição. Lembro doentes que conheci em hospitais portugueses e fico pensando no passado atrás dos olhos tristes e, por vezes ausentes. Um sofrimento impossível de imaginar…



