CARTA DE VENEZA – PEQUENOS MILAGRES QUOTIDIANOS – por Vanessa Castagna

carta de veneza

Por mero acaso descobri um blog bastante articulado, gerido por estudantes do Colégio Internacional de Ca´ Foscari, e com grande surpresa, numa secção criativa, deparei-me num comentário a um poema que me pareceu um poema ele próprio e que, com a autorização da autora, partilho aqui numa tradução improvisada.

“Se eu, Fernando Pessoa.” Numa sexta-feira qualquer, em Veneza, Giudecca

 

Veneza é sempre uma feliz casualidade,

e se não é a beleza de um pôr do sol seu

ou a melodia dos seus sinos,

é um cantinho da Giudecca que revela ao passante um poema de Pessoa,

que parece desejar-lhe, mesmo numa sexta-feira qualquer,

uma viagem feliz porque vivida na alegria do momento,

porque sem escopo e sem direção,

em que existe apenas a possibilidade de “ser outro constantemente”,

e de lembrar as palavras de Vitangelo Moscarda:

“morro a cada segundo e renasço novo e sem lembranças: vivo e inteiro, não mais em mim, mas em cada coisa externa”.

 

(Alessia Maselli)

 

Para ver a fotografia do poema pessoano, numa letra bonita que transcreveu os versos em italiano, no papel colado a uma porta que inspirou estas palavras, basta visitar a página https://lineaventi20.wordpress.com/2014/11/06/se-io-fernando-pessoa-un-venerdi-qualsiasi-a-venezia-giudecca/

Eis um dos pequenos milagres, uma das epifanias do extraordinário quotidiano que nos resgatam da mercantilização da cidade.

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