FAZ HOJE CEM ANOS, PORTUGAL ENVOLVIA-SE NO CONFLITO QUE FLAGELAVA O MUNDO – PORQUÊ’?

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Este post da responsabilidade da equipa Coordenadora do nosso blogue, não vai defender nenhuma das muitas teses que têm sido aventadas para justificar por que motivo um país pequeno, com uma economia débil apoiada em explorações agrícolas mal equipadas, dilacerado por lutas intestinas, com um regime republicano com meia dúzia de anos, com uma luta partidária feroz e com a permanente ameaça das incursões dos monárquicos acoitados em Espanha e protegidos por um direita que, tendo Afonso XIII como acólito, temia que o exemplo deste vizinho tumultuoso frutificasse na manta de retalhos mal cosidos pela arrogância castelhana,  como e porquê, defendendo que interesses, Portugal «requisitou», ou seja, se apoderou de todos os navios alemães fundeados em portos nacionais? Acto hostil que foi uma explícita declaração de guerra. Em 9 de Março de 1916, os alemães declararam formalmente guerra a Portugal, embora no dia 8  o escritor João Chagas, ministro plenipotenciário em Paris,  tivesse confiado ao seu diário  a reunião que tivera com Sidónio Pais, quando o futuro ditador, ministro plenipotenciário na capital do Reich, vindo de Berlim para Lisboa passou pela capital de França. Nessa reunião, Sidónio revelou como o governo do imperador Guilherme II lhe entregou o documento que oficializava o estado de guerra entre a República Portuguesa e o Império. Um funcionário da chancelaria alemã fora à sua residência quando estava ainda deitado, forçando-o a arranjar-se à pressa, pois o alemão insistiu que se tratava de um assunto da maior urgência. Era a nota diplomática da declaração de guerra (uma semana depois, dia 15, o Império Austro~Húngaro declarar-nos-ia guerra também).

Lisboa e o País fervilhavam de boatos e de  notícias contraditórias- a publicação da nota oficial, congelou as conversas gratuitas. Não se pense que nesse dia de há cem anos se descortinavam respostas inequívocas. Porquê? Dia a dia iremos colhendo respostas. Os depoimentos serão publicados por ordem de chegada.

Amanhã às 18 horas começamos.

 

 

 

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“Perguntei-lhe quando foi que falou pela última vez com o imperador. Respondeu-me candidamente: — Foi a primeira! De resto, conversando-se um momento com ele, compreende-se que semelhante ministro não podia ter a menor ação ou influência”, acrescentou o ministro plenipotenciário de Portugal em Paris, republicano de uma fação distinta de Sidónio Pais, a quem interessou mais saber que António Costa Cabral, à data chefe do protocolo em Lisboa, fora em 1912 secretário em Berlim, onde “frequentava a embaixada de Espanha e dizia a quem o queria ouvir que a República não durava um ano”.

Capa do exemplar do "Diário" de João Chagas, publicado em 1929, depois de o diplomata, jornalista e escritor morrer. Encontra-se na Biblioteca Nacional

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