EDITORIAL – Isto, só em Portugal!

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É uma afirmação estúpida e que detestamos ouvir ou ler. Não tivemos um presidente como Berlusconi (Cavaco, apesar de tudo, não é tão asqueroso), não temos um rei, como os vizinhos do lado. Por enquanto, os adolescentes não entram  nas escolas matando  a eito professores e colegas. Por isso, quando agora vemos o espectáculo de um Congresso de um partido que teve à frente uma figura como Paulo Portas, que nos contemos e não qualificamos, um partideco que vai a reboque do «irmão mais velho», o herdeiro do regime salazarista e sabemos que a «leader» vai ser uma rapariga,  hábil a dizer vulgaridades e que muitas empresas bem organizadas e com um serviço de recursos humanos bem dirigido, não aceitaria como telefonista, quando isto acontece dias depois de um comentador televisivo ter sido presidente da República (sucedendo a um campónio analfabeto), por isso, não dizemos «isto só em Portugal!».

O maniqueísmo de esquerda esquece-sempre  de se autocriticar. Mas, perante um Partido Comunista que se sente muito orgulhoso pelo controlo que exerce sobre os sindicatos e um Bloco de Esquerda que tenta ocupar espaços pecepistas, perante uma esquerda ineficaz, não dizemos «isto, só em Portugal!». Há 42 anos tivemos orgulho nas nossas Forças Armadas que cumpriram o que juraram ante a bandeira da República – defender o Povo. Aceitámos ser regidos por um sistema que apenas nas roupagens é diferente do salazarismo – o papel dos cidadãos e a sua participação na condução dos assuntos nacionais, limita-se a ser o de fazer uma cruz num boletim, dobra-lo em quatro, damo-lo a um elemento da mesa, desejar bons dias aos senhores e sair. Salazar punha os mortos a votar, aldrabava os resultados…. coisas que estes senhores não fazem. Porém, no final, o resultado prático não anda longe – os mortos votavam nos corruptos da confiança do regime; nós votamos em «democratas»  que obedecem aos seus presidentes ou secretários-gerais. E que obedecem aos mesmos donos do País. E isto não se passa só em Portugal – o «mundo livre» funciona assim.

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