EDITORIAL: O DIA DO TEATRO

logo editorialEstamos suficientemente conversados sobre a nossa aversão aos «dias» instituídos pela UNESCO. Não nos parece fazer muito sentido que as mulheres sejam discriminadas, mas que haja um dia em que merecem atenções especiais; que o ambiente seja poluído todos os dias, mas que numa data específica se ande em bicos de pés para o proteger ou que, por sistema se deem pontapés aos cães, para um dia em 365 serem afagados e presenteados com um osso esplendoroso. Temo-lo dito, são formas de aplacarmos a má consciência. O teatro é desprezado ao longo do ano, negados os apoios a que deviam ter direito, bons actores são forçados e emigrar para séries televisivas idiotas. O exemplo de Nicolau Breyner é elucidativo – não fora o seu papel em “Os Imortais”, cujo argumento se baseia no romance do nosso Carlos Vale Ferraz, e em mais dois o três produções e ficaríamos sem saber que aquele «cómico» inconsequente tinha dentro um excelente actor.

Apesar do nosso repúdio por esta comemoração em que se incentiva a ida ao teatro, não faria sentido que não apoiássemos as iniciativas que as companhias desenvolvem – temos ideias e princípios, mas não somos fanáticos nem temos a presunção de sermos portadores da «palavra de Deus».

helder costaEntre os argonautas, dois há que se distinguem particularmente pelo seu amor e ligação ao Teatro – referimo-nos a Hélder Costa, que vive no e para o Teatro – actor, encenador, dramaturgo, docente – director do prestigiado grupo de A Barraca, e a António Gomes Marques que, embora com formação universitária em Letras e actividade  profissional na área bancária – que nos tem proporcionado verdadeiros «golpes de teatro» e remontado à tragédia grega – foi director daSerá que Warren Buffett leu Lénine? - por António Gomes Marques Associação Portuguesa de Teatro Amador e dedica os seus tempos livres à arte dramática. Dois homens que amam o teatro e que vão dirigir uma iniciativa que terá início no dia 27 de Março: a publicação de peças em um acto e representadas por um só actor ou actriz. Não é um concurso, não há prémios nem classificações, ou seja, o prémio está na publicação e na eventual escolha para o conjunto de monólogos que formarão um  espectáculo a ser levado à cena pela Barraca, No domingo, publicaremos os primeiros monólogos escolhidos pelos dois responsáveis e todos os domingos, até ao fim de Abril, iremos publicando os textos que nos forem sendo enviados. Procuraremos publicar em livro as peças que forem selecionadas.

No domingo, e também associada à comemoração do Dia do Teatro, Estrearemos uma curta série de ROMANCES CANTADOS (operetas, zarzuelas, musicais…), com escolhas de Lídia Maria Rocha – em breve anunciaremos os horários em  que estas duas séries serão colocadas.

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