“É BOM ESTUDAR AQUI” por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

“É bom estudar aqui”

“É bom estudar aqui” foi o que verbalizou uma criança da escola Básica do Curral das Freiras, na Madeira.

Curral da Freiras é considerado o local mais isolado do país e o mais pobre.

Aqui todos os alunos se conhecem,  são amigos, e sentem que os professores acreditam neles.

Aqui não se ouve falar nem em Bullying, nem em indisciplina, nem em violência.

Não vamos acreditar que os agregados familiares destas crianças são todos estruturados, sem cenas agressivas ou mesmo violentas, sem falta de bens essenciais e com vínculos afectivos positivos, tudo o que se considera exigível para um crescimento harmonioso.

Não.

Nestas famílias o alcoolizado está presente, a falta de conforto social é sentida, a cultura machista é quem manda. Os vínculos afectivos serão alguns positivos outros não. A violência contra as mulheres e contra as crianças é algo de que não se fala…

Todos os estudos que se fazem sobre a avaliação dos alunos, sobre a relação aluno/escola. tendem a apontar estes factos.

Aqui a Escola e a Família têm que se entender.

A escola tem boas condições, o que significa que é confortável, não tem campainha que é como quem diz não tem gritos. Todos são responsáveis pelos cumprimentos dos horários, das tarefas, das atitudes prometidas.

Os horários foram feitos de acordo com os autocarros que servem esta população.

Estas meninas e estes meninos não têm trabalhos para casa. Têm tempo para a sua vida de criança. Irão trabalhar com os pais? não sei.

 As turmas são pequenas proporcionando uma relação positiva entre todos.

Muitos têm sido os estudos feitos e eis que se chega quase sempre à conclusão que as turmas pequenas, que uma organização escolar que contemple as necessidades dos alunos, que um relacionamento interpessoal próximo e que a confiança transmitida aos alunos, favorecem uma boa aprendizagem.

Porque se teima em desconhecer esta realidade?

Não há excesso de alunos nas escolas que justifiquem turmas com muitos alunos em detrimento do número de professores, há excesso de indisciplina porque não há condições para se viver com os alunos na escola, há campainhas ensurdecedoras que castigam quem chega atrasado.

Paira a desconfiança de que os alunos “fizeram algo de errado”, ouvem-se as referências aos exames como se fossem penalizadores para os “mal comportados” e gratificantes para os outros.

A escola do Curral das Freiras, como outras em Portugal, teve o bom senso de retirar do caminho do ensino e da aprendizagem o desconforto físico e afectivo de que as crianças são o alvo incontornável  numa sociedade com grandes desvios sociais.

O Ministério da Educação tirou os exames do 4º e do 6º ano de escolaridade e tornou facultativa as provas de aferição. Agora cabe também às escolas exercer a sua autonomia e decidir-se a favor ou contra as provas de aferição. As escolas devem ter a liberdade de se organizarem conforme a população que servem.

1 Comment

  1. As escolas deviam ser uma continuidade do bom caminho para educar futuros cidadãos com carater e honestidade mas o que se vê na actualidade só serve para criar maquinas para consumo social e capital para bem servir os interesses capitalistas e não sociais.

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