A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 5. A MOEDA CENTRAL (2/3) – EXPLICAÇÕES – por OLIVIER BERRUYER – V

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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A moeda central (2/3) – explicações

Olivier Berruyer, La Monnaie Banque Centrale (2/3) – explications

Les-Crises.fr, 15 de Março de 2012

(CONCLUSÃO)

Comentários ao texto Moeda Banco Central (2/3)  – explicações

1. Patrick Luder

Bom dia,  Olivier, compreendo bem o funcionamento e que os fluxos diários  no  Banco Central são importantes e variáveis. Mas isto não explica a razão para os empréstimos feitos aos  bancos pelo BCE (489 mil milhões em Dezembro 23-523 e 530 mil milhões em 29 de Fevereiro, empréstimos estes concedidos a  800 bancos).

2. Gauthier

Talvez uma forma de recapitalização sem passar pelos mercados financeiros .

3. chris06

A razão? Bem, pura e simplesmente um grande número de bancos europeus (incluindo uma grande proporção dos bancos espanhóis e italianos) estavam  cheios de   activos tóxicos  (imobiliários, públicos e privados) e em que os bancos que tinham  liquidez excedentária não tinham então nenhuma confiança sobre os outros e assim não  forneciam  liquidez para se constituírem as reservas suficientes  junto do mercado  interbancário e se apressavam todos a solicitar o fornecimento de liquidez ao refinanciador de último recurso que é o  Banco Central, porque caso contrário, seria  a explosão do sistema bancário europeu.

Visto  que ninguém parece ter coragem de resolver de uma vez por todas os milhares de milhões de activos tóxicos que estão nas contas desses queridos bancos, o Banco Central vai continuar a tentar ganhar  tempo, mantendo estes mesmos bancos sob perfusão  o tempo que for necessário … uma vez que uma situação igual se verifica no Japão desde há  quinze anos no Japão entre o banco central deste país  e o sistema bancário japonês, é-se levado a dizer que o BCE tem ainda muito tempo à sua frente para continuar a praticar esta injecção continuada de liquidez …!

4. Patrick Luder

Obrigado Chris, isso tranquiliza-me… às vezes tenho a impressão de  que as nossas queridas  autoridades financeiras inventaram mesmo  um novo sistema para fazer um novo buraco financeiro  nas costas  do bom povo e reembolsável mais tarde…

De maneira mais clara: se as  necessidades explosivas de  liquidez são coisa do passado, é grave  mas é (quase não) controlável.  Mas se as necessidades explosivas de liquidez existem aqui e agora  para remediar  problemas futuros ( pouco visíveis e não controlados), começo  realmente a ficar  preocupado…

5. chris06

Bem,  é um pouco de ambas as coisas uma vez  que as necessidades explosivas em liquidez  irão continuamente aumentar e à medida  que as bolhas imobiliárias monumentais  continuarão a explodir em todos os lugares na Europa (excepto na Alemanha,  uma vez que aqui não andaram a jogar este tipo de jogo ), que as Administrações Públicas europeias  continuarão a transferir  cada vez mais  activos tóxicos sobre os orçamentos públicos, que os custos de energia importada continuarão  a aumentar e que os pequenos empregos pagos a três vezes nada  irão  continuar a substituir os salários do  sector  privado a  tempo integral.

Este é o princípio de deflação lenta à japonesa  em  que, como o poeta T.S. . Eliott disse no seu tempo,  a civilização ocidental não termina de repente numa  grande explosão, mas sim num longo gemido imperceptível…

 Mas bem,  devemos permanecer optimistas!

6. askarine

Quem vos diz  que a moeda banco  central  servirá apenas para o descongelamento do mercado interbancário carregadíssimo com produtos tóxicos? Lembrem-se que com tais somas e uma tal taxa directora  (1%), é provável que isso implicará uma criação de moeda escritural muito importante. Como há pouco  crescimento e como  a dívida é muito alta, bom, isso não é grave, criar-se-á um  falso crescimento (ex: subprime,…) e aumentar-se-ão  as bolhas. Esta ultra baixa taxa directora é um convite ao crime. Um dia agradável.

7. chris06

@askarine,

Há sempre um risco (ou uma oportunidade, dependendo de qual lado é  que se está,  logicamente) que isso se produza  mas não é fácil explicar porque  é que os bancos de repente se poriam a criar moeda escritural  desta forma…

Ainda  não viu o anúncio emitido  recentemente  pelos nossos queridos banqueiros centrais e pelos nossos políticos? “Procura-se desesperadamente bolha a encher “

Que  ilusão! Será que eles irão  encontrar   desta vez para as famílias, para as empresas e para as administrações públicas a estarem dispostas e em conjunto a endividarem-se quando todos eles  já estão fortemente endividados?

sem isso, “ a  bomba da finança”  através da  qual os bancos criam moeda escritural na sequência de um crédito,  está bloqueada e por um longo período de tempo….. por muitíssimo  tempo.

8. Matthieu

 “Ao contrário do que possa imaginar, não há aqui  nada de fundamentalmente ofensivo quanto a esta criação de dinheiro pelo Banco Central.”

Como?

Se o BCE troca moeda banco central por títulos podres então  o mercado está desequilibrado, porque o risco é (momentaneamente) transferido dos bancos  para o BCE, ou  não é assim?

Assim, como acabaram de nos mostrar para a Grécia, são  frequentemente  as  instituições públicas (ou seja, nós), que assumimos o encargo gratuitamente  dos riscos que assume  o sector privado…

 Como é que querem que a regulação do neoliberalismo actue !

Vocês esqueceram-se de nos  falar sobre os juros a pagar. Existem por aí e sobre esta matéria, histórias  e que histórias e seria  bom  que nos pudessem  explicar porque é que há (ou não há)   problemas com os juros a reembolsar.

9. Jean-Baptiste B

É a máquina de  fazer notas  e demonstro-o:  a própria Reserva Federal está  isenta de pagar pelas  suas perdas! O FED deixa cair a máscara. Então pega na máquina de imprimir notas  e então tenta fazer os  seus arranjos mais ou menos bem camuflados para dizer que tudo está  pago com os fundos libertados. Aliás, este sistema pretende justificar o monopólio da criação de dinheiro pelos bancos. Dado que o crescimento é fraco e em que a  taxa de desemprego  é elevada e  o futuro cada vez mais sombrio, é chegada a  hora de devolver à máquina de fazer notas ao Tesouro.

 Sim, é necessário imprimir essas notas, sim “é a máquina  de imprimir notas ” e fazê-lo somente pelo  crédito   é reforçar ainda mais  a servidão pela dívida, e sim,  não  há nenhuma  legitimidade para isso: como o Nobel de economia Paul Samuelson afirmou:

“Acho que há um elemento de verdade na opinião de que a  superstição, garantindo que o orçamento deve estar  sempre equilibrado em todo e qualquer momento do tempo, uma vez levantada, remove um dos dispositivos de segurança que cada empresa deve ter contra os  gastos fora de controle. Deve haver disciplina na alocação dos recursos, ou ter-se-á  um caos anárquico e ineficaz. E uma das funções de uma religião antiga era de assustar as pessoas com o que pode ser visto como sendo mitos a fim de se comportarem  da forma que exige uma  civilização  a longo prazo. […] Agora começo a acreditar que, se o posso  parafrasear, aprenda-se  a verdade e a verdade ajudará a que cada um de nós fique  livre  e talvez  mesmo eficiente.”

Acabem-se com os planos de austeridade, dê-se lugar a uma gestão sã da moeda.

10. chris06

@Jean Baptiste B,

é necessário,  primeiro que tudo, começar por estarmos de acordo com  o que  chama de “fazer funcionar a máquina de criar notas “!

11.Jean-Baptiste B

Por isso,  penso o seguinte:  a  criação monetária pelo Tesouro e pelo  Banco Central, a que que pode simplesmente por crédito de  uma conta em banco fazer pagamentos  e destruir a moeda quando debita essa mesma conta. O Banco Central tem um passivo equivalente pelo facto de que ele  cria, na prática, um conjunto de contas à  Ponzi, e sobre o qual se obtêm os meios com que financiar  a economia real. A prova é que nem o Banco Central pode fazer funcionar a máquina de fabricar notas  é que este banco nunca entra em falência  em caso de incumprimento de pagamento sobre os empréstimos  por si concedidos. .

O que estou a dizer  é que sobretudo não  se  deve vender  tudo sob o pretexto de reembolso da   dívida: depois de terem deixado os bancos  enganar-nos durante décadas sobre a realidade da criação monetária  e sobre as suas possibilidades, nós dar-lhes-íamos  ainda as nossas  riquezas, como contrapartida de nos terem andado a enganar com puros jogos contabilísticos! Uma vez que um banco ameace  entrar em falência (quase todos actualmente), é necessário  recuperar a moeda  Banco Central, os activos e outros e completar  pelo Tesouro para recriar um banco de depósito são, nada criativo,  bem básico, com os  depósitos de todos os depositantes . Apurar assim, por uma cascata controlada de falências os balanços carregados de produtos supertónicos, preservando a economia real e as  suas transacções. Por fim, devemos processar os financeiros  começando  pelo mais alto  nível, bem como um certo número de responsáveis políticos. À islandesa.

Mas sobretudo, não abandonar a máquina de fabricar notas  para a economia real, acrescente-se! Mais vale  manter a colocar a máquina a trabalhar  para todos, até mesmo o Ponzi financeiro, se ainda não se  é capaz de  parar (NT- e de prender) os banqueiros …

12.Patrick Luder

A máquina de produzir notas é também um garrote apertado ao pescoço dos reformados , agora que tudo é baseado no  papel…

13. orgent

Muito obrigado por essas explicações de contabilidade. Eu gostaria mesmo assim de perceber bem o fluxo  monetário  quando o  Sr X, cliente do banco A, obtém um empréstimo de 200.000 € para comprar o seu apartamento de 240 000 euros? Eu penso ter percebido que as regras prudenciais (Basileia II) impõem  ao banco de dispor de  pelo menos 8% dos fundos próprios, ou pelo menos de 8 000 euros na sua conta junto do  BCE no presente caso. O banco A cria então  184. 000 euros inscrevendo  € 184.000 euros de dívidas no activo da conta do senhor X como contraparte  de 184.000 euros de dívidas no seu passivo, é isso? O que acontece em seguida para o senhor X, o banco A e o Banco Central, em caso da  explosão da bolha imobiliária  onde o senhor X perde o seu emprego e sua casa passa a não valer mais de  80 000 euros?

14. Bruno L

Caro Olivier, o meu amigo abordou  apenas um lado da questão, a criação de moeda  pelo Banco Central.

Este  não é, para mim, o problema mais agudo. A verdadeira questão é a criação de moeda pelos bancos comerciais.

No seu texto tudo se passa  como sejam apenas ‘ os depósitos que geram  os créditos  “.

Embora, obviamente – pelo menos na minha opinião – sejam  essencialmente os créditos que geram os  depósitos, o problema está todo ele aí,  (pelo menos para os bancos de segundo-nível).

Por outro lado, não  tenho seguramente necessidade de o lembrar o que o termo “falso moedeiro ” vem de Maurice Allais, que o meu amigo Olivier aprecia tanto como eu.

  Muito cordialmente

15. Jean-Baptiste B

@ chris06

Sim, a retoma funciona: é necessário  um défice a jacto  contínuo para que funcione uma economia  e sim, mais vale  regular os bancos em todos os sentidos. Não se deve deitar fora o bebé com a água do banho, a  máquina de fabricar notas com o que fizeram  os bancos. Pelo contrário, o Estado, ou seja, o tTsouro, re-regulará   os bancos com mais determinação e tanto mais quanto eles deixarão de ser a  sua fonte de financiamento.

A retoma  funciona, mas dado o enorme passivo de créditos tóxicos e de tanta gente financeiramente enganada,  para que os défices cheguem a estabilizar a situação isto vai levar tempo, mas quanto mais se impedir que  os estabilizadores automáticos alimentem o sector privado através  de um défice elevado  mais será o tempo necessário para que a situação se estabilize. . É somente depois que  o crédito será retomado…

16. P.

Ideia idiota. um défice não é senão uma emissão de promessa, e se fosse suficiente prometer para  estimular a actividade, não estaríamos na porcaria  actual. Pelo contrário, considerando a quantidade monstruosa de promessas que foram feitas, deveríamos estar a  nadar em felicidade…

17. chris06

O que é que  quer, alguns economistas “brilhantes” estão convencidos que seriam capazes  de resolver um problema de sobreendividamento através da criação de  mais dívidas.

18. Jean-Baptiste B

O senhor não leu. O crédito é uma promessa de moeda soberana (moeda banco central/reservas), proibir  o Estado de gerar um défice  é proibi-lo para permitir que os outros cumpram as  suas promessa em crédito. Pelo contrário, um défice  aumenta o montante dos activos líquidos do sector privado. Como  deve ter lido no link  que eu aí tinha colocado  e que aqui coloco a citação em  tradução, o défice  é essencial para a estabilidade e para a prosperidade. Ao contrário dos mitos narrado por todos os lados, o défice cria  moeda e o excedente orçamental destrói-a  e, em seguida, os bancos escondem-no através destes  empréstimos ao Tesouro de que ele não tem nenhuma necessidade (se somente ele o soubesse).

Infelizmente, no caso do euro, nós estamos em grande parte desfalcados  da nossa soberania monetária. E o BCE deve pois  “garantir o mecanismo de transmissão”, ou seja, que os Tesouros possam sempre activar a máquina de fazer papel-moeda. Mas o BCE impõe as suas condições e por último faz durar a tortura de um défice muito baixo  em vez disso, exigindo pois  a austeridade. Que os financeiros se tenham metido   numa pirâmide de Ponzi  não muda nada. A pirâmide de Ponzi não desce até à  economia, porque não há aí  procura de crédito para tal  e ela não substitui a necessidade do défice.

« C’est justement le cœur de la real bill que de réfuter l’idée que l’émission monétaire est inflationniste quand elle est adossée à des actifs de qualité »

“É aqui precisamente que reside o centro da verdadeira questão que é o de refutar  a ideia de que a emissão monetária  é inflacionista  quando está ligada a activos de qualidade”

Portanto, a refutação do facto que a emissão monetária é inflacionista quando se encontra sustentada por activos de qualidade, é mesmo o cerne da real bill Tua tradução

E, como  é que,  se faz para tomar como garantia “activos de  qualidade”, quando todas as cotações  variam, e não há mesmo nenhum controle da emissão desses activos de “qualidade”? Leia o pequeno excerto Inflação/Deflação  de um artigo de  wikipedia a que está ligado. Mais vale ter papel moeda como activos e uma máquina para as criar ao alcance da mão.  O período histórico que se aproxima mais desta situação é o período chamado de Os Trinta Gloriosos anos e  é também o mais estável e o mais próspero da nossa história. Em relação ao controle da inflação, existem ainda  técnicas mais avançadas, como o empregador de última instância.

19. P.

Mas eu li e o que eu li não faz nenhum sentido. Esta tese da necessidade do  défice  público não se aguenta de pé, nem teoricamente, nem sobretudo no plano da  prática (uma vez que estamos cheios de contra-exemplos, mesmo na França: Henri IV ficou  na história por duas razões, a de um alegre crescimento económico no país com  um excedente orçamental e zero em termos de dívida  – Voltaire fala disso em “o homem de 40 ECU”; a mesma coisa durante  a Restauração).

Na verdade, os senhores só lêem  metade da história. O défice  não cria a moeda,  cria moeda, nuance; e o reembolso não destrói a moeda, destrói  moeda. Mas a moeda não é nada, é apenas um sinal, um  reconhecimento de dívida. Jogue o que quiser para cima dela , em seguida, multiplique-a ou divida-a por dois , qual é a diferença? Nenhuma!

Uma máquina de imprimir notas  não é um activo, é apenas um instrumento duma tipografia. A economia real trabalha com transformações reais das coisas reais: casas, carros, campos e fábricas, refinarias e centrais de energia, etc.; ela está-se nas tintas para a sua tipografia,  sem ofensa para Keynes. Acreditar que se  vai reparar a economia mudando de tipografia ou de tipógrafo, é um culto do Cargo. . O verdadeiro ‘activo’, nesta história, não é a tipografia,  é Schlague, a punição  com que “o empregador em última instância” (como vocês lhe chamam) vai forçar as pessoas a tratar pedaços de papel sem valor como activos reais, vai colocá-los no trabalho forçado. Sinta-se livre para nisto ver uma solução (não é o meu problema…), mas a experiência tem demonstrado que os período de expansão são sobretudo aqueles em que a Schlague  recua  (depois das guerras, principalmente ) do que aqueles em que é mais cada vez mais utilizado  (o que não deixa de ser  muito perturbador para França, onde todos os candidatos propõem bater mais e mais fortemente …)

20.

Jean-Baptiste B

@ P

«Henri IV ficou  na história por duas razões, a de um alegre crescimento económico no país com  um excedente orçamental e zero em termos de dívida  »

A única maneira de ter um orçamento público equilibrado e um sector privado em crescimento é ter um excedente na balança  corrente. Precisamente, Henry IV fez  proteccionismo e regulamentou os bancos (não se pode apreender o gado e as máquinas  agrícolas para liquidação das dívidas), e conduziu uma política de desenvolvimento activo. Hoje que a moeda  é uma pura moeda, sem ouro, mais vale  que o sector privado esteja a trabalhar para a prosperidade do seu  Estado do que estar a vender os seus serviços   em troca de défice  de estados estrangeiros.

” Mas a moeda não é nada, é apenas um sinal, um  reconhecimento de dívida. Jogue o que quiser para cima dela , em seguida, multiplique-a ou divida-a por dois , qual é a diferença? Nenhuma! (…) A economia real trabalha com transformações reais de coisas reais: casas, carros, campos e fábricas, refinarias e centrais de produção de energia, etc. ; a economia está se nas tintas para a sua tipografia,  sem ofensa para Keynes. “

A economia real funciona com riquezas reais  e com sinais monetários. Olhe à sua volta , estamos numa economia de mercado e não de  troca directa. A moeda é real, real, tão real como as casas e as outras  coisas disponíveis no mercado, e também pode estar viciada, ser muito  racionada ou ser  muito abundante, etc. A economia que se estaria nas tintas para  Keynes nunca foi tão  próspera como durante  o boom do pós-guerra, justamente o período mais keynesiano.  Saber fazer défice, isto é, criar  moeda adicional é, portanto, não de tentar  proibir absurdamente mas sim de preservar, de afinar,  para melhor garantir de quanto, de quando,  para quem e porquê  e isto de modo a que o conjunto seja coerente.

” O verdadeiro ‘activo’, nesta história, não é a tipografia,  é Schlague, a punição  com que “o empregador em última instância” (como vocês lhe chamam) vai forçar as pessoas a tratar pedaços de papel sem valor como activos reais, vai colocá-los no trabalho forçado. Sinta-se livre para nisto ver uma solução (não é o meu problema…), mas a experiência tem demonstrado que os período de expansão são sobretudo aqueles em que a Schlague  recua “

1 O empregador de último recurso só contrata voluntários: ninguém na situação de trabalho forçado.

2 O Estado que vai bem para além do Comité EDR especialmente hoje, sempre usou e ainda utiliza  uma mistura de persuasão e coerção nem que seja para  financiar o exército, a justiça e algumas funções também estratégicas. No entanto, a única maneira que temos para suavizar isto é exigir défices  (pelo menos de uma forma coerente com a inflação, principalmente através dos  estabilizadores automáticos), de modo a que não se seja obrigado a ir procurar  obter o último tostão no último investidor para evitar a prisão do fisco, ou, no caso do ouro, para ir procura-lo numa mina  em vez de oferecer qualquer serviço (venda de papel, etc.) ao Estado. É ainda mesmo assim muito mais cómodo do que ser via acordos com os mercados.

21. P.

É errado dizer que se tem necessidade de um excedente na balança  corrente para se ter ao mesmo tempo  uma situação de  equilíbrio do orçamento público e o crescimento do sector privado. Mais uma vez os contra- exemplos   abundam, como o mostra o recente período de “Clinton” nos EUA (crescimento, orçamento federal com excedente,  mas um enorme e crescente défice  comercial). O sucesso de Henry IV não se baseia no  mercantilismo, mas sim num crescimento da produção (a partir de um nível deprimido pela  guerra civil é verdade, mas não só) que enriquece a todos, tanto os  particulares como o próprio Rei. Mas o vosso  erro não me surpreende,  quando se confunde  o mapa e o território, o símbolo e a coisa, é bastante natural obter  ouro para a economia e tornar-se mercantilista ..

A ligação aos  30 Gloriosos anos <-> keynesianismo é simplesmente uma petição de princípio. O keynesianismo também tem no seu “activo” o   desastre ”  nos  EUA entre 1932 e 1940, o tratamento da crise japonesa desde 1980 e seguramente a crise actual…magnífica. Sem esquecermos para continuarmos franco-franceses, os  belos resultados de  Chirac em 76 e de  Mitterrand em 81. Eu tenho estado a procurar um exemplo onde o keynesianismo tenha funcionado bem, mas não encontro. .

Criar moeda , ou seja, é dizer emitir  quando não se tem activos por detrás  é a falsificação na criação de moeda. Mas se os “sinais” lhe interessam,  mais do que os bens reais, nenhum problema : posso fazer uma oferta especial de belos símbolos impressos por troca dos seus bens reais ..

O EDR paga aos voluntários com falsa moeda: Schlague para a fazer aceitar e para manter tranquilos os descontentes.

22. chris06

Já lá vão quinze anos que  o Japão tenta relançar a sua  economia, eles ainda assim conseguiram  a façanha de passar a sua dívida pública de 100% do PIB em 1997 para 220% do PIB hoje enquanto suportam  défices correspondentes por injecções massivas de liquidez: nada acontece, o crescimento é, em média, cerca de  0% durante estes quinze anos, as taxas de inflação e de juros também estão perto de zero, o paciente é um “zombie” …

Um défice enorme não servirá para nada tanto quanto o sistema bancário estiver  bloqueado  por milhões de milhões de activos tóxicos e enquanto que o sector privado (famílias e empresas) está  sobre-endividado  e que o preço das habitações, das terras agrícolas, os estabelecimentos  estão em níveis estratosféricos e reflectem apenas ilusões de grandeza não relacionadas  com o seu valor fundamental, assim nada arrancará.

Como é que quer que os estabilizadores económicos salvem  o sector privado? É o sector privado (famílias e empresas) que financiam estes estabilizadores, vai ser difícil que sejam os estabilizadores que fazem arrancar o sector privado!

23.

Jean-Baptiste B

Eu disse que eram necessários os dois:  regular os bancos (e purgar as consequências da falha regulatória prolongada) e activar a criação de moeda  via estabilizadores automáticos. Durante a crise de 1930, o que  realmente arrancou o  sector privado do  pessimismo em que se envolveu foi  o pleno emprego decretado pelo Estado para a economia de guerra. O nec plus ultra do défice a assegurar  a prosperidade  é o  empregador de última instância. Não há nada como o pleno emprego  para alimentar o optimismo que alimenta a actividade económica  que alimenta o pleno emprego. .

Note-se que o Japão, com a sua enorme dívida e os seus muito enormes défices desconhece a inflação e o incumprimento.

24. chris06

Ah, mas eu não disse que não se devem  fazer  défices públicos ou que  estes levarão à  inflação, conheço bem a MMT, disse sim que tanto quanto se arrasta a situação actual, como no Japão, isto não vai relançar a economia…

25. Bruno L.

Caro  Olivier

O Olivier pretende que: “em vez disso, a operação elementar  de criação de  moeda  pelo Banco Central é uma operação onde ele se empobrece , porque ele emite reconhecimento de dívida sobre o seu  próprio património !”

Gostaria que me explicasse  em que é o Banco Central se torna mais  pobre, emitindo bilhetes para comprar (ou financiar) uma operação  repo dum banco- venda de títulos  com a obrigação de compra depois.

O Banco central simplesmente promete reembolsar notas …contra notas .

Se há demasiada moeda em circulação , pode ser o Estado que se empobrece  ( uma vez que a moeda perde valor, vai  valer menos) mas certamente não o Banco Central.

O Olivier diz  que se  corre o risco de perder parte do seu património. Neste caso o que é isto?

O que me leva à seguinte questão: será que  um Banco Central pode ficar  insolvente (se, pelo menos, se  permanece dentro de sua própria zona monetária) e ou em  falência?

26. Keltoum

A concessão de um crédito sob a forma de um empréstimo concedido por  um banco comercial  ao seu cliente leva  a um aumento da massa monetária de igual montante.

Em contrapartida do crédito concedido o banco credita a conta do beneficiário que dispõe então de moeda escritural  por um simples conjunto de registos contabilísticos. O crédito acordado  faz aparecer  sobre a sua própria conta uma quantia que anteriormente não existia (diz-se que a moeda é criada “ex nihilo”, – ou seja do nada). O beneficiário do crédito poderá então utilizar esta moeda, seja levantando o dinheiro em notas banco central  ou através dos  instrumentos da moeda  escritural (cheque, cartão de crédito,…).

Inversamente, a operação do reembolso do crédito  pelo agente económico não financeiro  traduz-se  numa  destruição de  moeda.

As operações que para os bancos consistem em comprar divisas  contra euros aos  agentes económicos também criam moeda escritural.

Por exemplo, uma empresa francesa que exporta  mercadorias para um país não pertencente à zona euro irá receber a contrapartida das suas vendas em divisas: se a exportação é, por exemplo, para os Estados Unidos, a nossa empresa exportadora receberá dólares americanos. Esta empresa trará então trocar estes dólares por euros.

O banco vai comprar as divisas  e em troca, creditará a conta da empresa no valor  correspondente em  euros. Através desta operação, o banco terá criado  dinheiro. Por outro lado, uma empresa importadora que compra   moeda estrangeira ao banco para pagar as suas importações  contribui para a destruição de moeda escritural.

Se  generalizarmos  ao nível de uma economia, haverá  criação líquida  de moeda e, portanto, aumento da oferta de moeda quando as operações sobre o  estrangeiro  são excedentárias.  Por outro lado, um défice externo envolverá uma saída líquida de moeda e, portanto, uma redução da massa monetária.

27. Nicolas

Não compreendo porque é que um banco não pode ter  conta “em banco”. Esta conta não apareceria no passivo (como as contas dos  clientes: depósito à vista no lado do passivo e crédito para com o cliente pelo lado do activo ) mas no activo  e faria  simplesmente parte da rubrica “tesouraria” . O banco não teria, portanto, nenhuma dívida “para consigo mesmo” mas só moeda escritural no activo.

Assim, aquando    de um cliente do banco A colocado no banco B, simplesmente deduzir-se-ia  o montante do cheque da rúbrica Tesouraria e da rúbrica depósito à vista  para os adicionar  nas  mesmas posições no banco B.

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