EDITORIAL – ANIVERSÁRIO DA INTERNET

logo editorialÉ uma história recorrente: sempre que se abre uma estrada, surgem bandos que se especializam a assaltar quem nela transita. A palavra, estrada entre o raciocínio e a prática desse raciocínio, talvez o maior invento da Humanidade (sem a palavra, não seriamos sequer seres humanos), particularmente desde que passou a poder ser registada, serve para criar textos sagrados, poemas divinais e ladridos como os que Hitler vomitava. As estradas que o Império romano construiu, facilitando o trânsito de pessoas e mercadorias, serviram para que bandos de ladrões se especializassem em assaltar quem as percorria, as vias marítimas abertas pelos Descobrimentos, tiveram como contrapartida a criação de navios piratas, que assaltavam, roubavam, matavam, As ligações aéreas foram vitimas, sobretudo de desvios de rotas para fins políticos. Enfim, a criação de caminhos, implica o aparecimento de assaltantes especializados.

Em 7 de Abril de 1969 nascia a Internet. Foi nesse dia que foi publicado o primeiro RFC, sigla/acrónimo de Request for Comments, ou “pedido para comentários”, ou seja, o documento que descreve os padrões dos protocolos da documentação técnica desenvolvida e mantida pelo IETF (Internet Enginnering Task Force), instituição que especifica os padrões que serão implementados e utilizados em toda a internet. Mas não nos embrulhemos em explicações técnicas . para explicar a alguém como a acender a luz de um sala, não é preciso contar-lhe a história da electricidade – basta mostrar o interruptor.

A internet é um dos maiores inventos da Humanidade e reforçou a teoria de Mc Luhan, o conceito de «aldeia global» expresso n a sua obra A Galáxia de Gutenberg (1962). Como numa pequena aldeola, todos os seres humanos vão estando cada vez mais ligados entre si –  o progresso tecnológico vai reduzindo a Terra à condição de uma aldeola, provocando transformações sociais. Democratizou-a – agora, todos podem contar a sua versão dos acontecimentos – o axioma de que prevalece a versão dos vencedores, vê-se contestada por esta rede onde os vencidos também podem dizer de sua justiça. Inconvenientes, desvantagens? Claro que os tem – pedofilia, terrorismo, narcotráfico, 0crime em geral, encontram na internet um meio ideal de expansão e filtrar esses usos criminosos implica o risco de instaurar uma censura que impeça a passagem de ideias «inconvenientes» aos poderes instituídos.

Para além do positivo e do negativo, do que não deixa margem para dúvidas, há a incógnita a que só o futuro irá paulatinamente responder. Um exemplo é-nos dado pela televisão – os programas asquerosos, tipo «casa dos segredos» ou «big-brother», ao mesmo tempo que são montras do que de mais baixo a mentalidade humana pode produzir, vão-nos mostrando uma realidade que as percentagens debitadas pela comunicação social sobre as percentagens de literacia escondem. Os palavrões, a baixeza de sentimentos, o primarismo de crenças, mostra-nos que a tribo humana tem a cabeça mergulhada nas estrelas. Os pés, em contrapartida, estão atolados numa lama excrementícia e nauseabunda.

1 Comment

  1. Além do costumeiro preciosismo do texto, os dados históricos, assim como as críticas, são muito oportunos na época que estamos vivenciando.
    Parabéns!

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