NOVAS ESTRATÉGIAS por Luísa Lobão Moniz

É com tristezolhem para  mima que sei que o Comité de Ministros do Conselho da Europa assinou ” estratégias para se lutar pelos Direitos da Criança”. É evidente que não é por ter assinado, mas porque são precisas novas estratégias para proteger a Criança!

Temos que admitir que as sociedades, as famílias, as escolas, TODOS estão a falhar na protecção da Criança.

A Criança está longe de estar protegida. As estratégias até agora desenvolvidas pelos governos, pelas ONGs não conseguem travar a violência, a exclusão, o tráfico, a negligência, os maus tratos, não conseguem proibir os governos, os exércitos de recrutar crianças para a guerra.

O mesmo se pode dizer da Mulher, da Mãe! Portugal não é diferente dos outros países da Europa nestes comportamentos, apesar de o poder ser nas estatísticas.

Não é criando novas estratégias que se assegura a proteção da Criança, assim como não é por existir pena de morte que há menos crimes.

A questão é da Humanidade, dos valores que escolhe como sendo os melhores para perpetuar as formas de organização económica e social que foram elaborando ao longo dos tempos…

É claro que nada se perpetua, nada se mantém igual ao seu início porque outras realidades vão surgindo e o que se queria perpetuar teve a capacidade de se renovar ou de ficar enquistado para mais tarde regressar.

Do não reconhecimento social ao reconhecimento da Criança, como um ser individual, com as suas especificidades, muitas foram as estratégias que não conseguiram banir a escravatura, os maus tratos, o trabalho…

O cerne desta questão, como o das que estão relacionadas com os diversos tipos de violência,  é extremamente complexo porque não é um querer, uma vontade ou uma má vontade. Está nos comportamentos tidos como os melhores. Melhores para quem? Para quem tem o poder! Para quem é o mais forte quer em casa, na família, na escola, ou na sociedade…que gostam de saborear, por vezes, um pequeno poder.

A Europa inteira chorou os mortos por actos de terrorismo, Portugal chora pelas crianças assassinadas pelos seus familiares. Todos choraram quando viram o menino morto, na praia, como consequência de uma fuga à guerra.

Que estratégias?

Novas estratégias, novas expectativas goradas.

Fala-se em biliões e biliões de euros que os países devem a outros países, mas não se fala que esses euros poderiam modificar as sociedades se a lógica económica e social fosse outra.

Não estou contra as novas estratégias, pois tudo o que se possa fazer para minorar o sofrimento de uma pessoa, de uma Criança, vale a pena.

Há tanta Criança à espera de uma vida melhor e ninguém está dispensado do seu contributo!

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