EDITORIAL – MAS AFINAL QUEM É QUE ROUBA?

Às voltas com as ameaças de bofetadas e um ministro que se demite, com logo editorialreuniões de conselho de estado com convidado especial, com as notícias, que já vão passando para último plano, da continuidade das infâmias feitas na Europa aos refugiados de guerras, sobressai a lata das desculpas dadas pela “legalidade” da lavagem de dinheiro, fuga ao fisco que os offshores permitem.

Legalidade? Desculpa que se trata só de um assunto de natureza fiscal? Não. A sua natureza económica é a que permite esconder dinheiro, permite não pagar impostos aos que podem “poupar”. É um assunto que a todos diz respeito, na medida em que sentimos o peso das consequências directamente nas nossas vidas.

É, não há verbas para pagar aos reformados que descontaram toda a vida, para pagar aos funcionários públicos (vamos cortar neles!), para sustentar os beneficiários do RSI (esses oportunistas que nunca trabalharam!) e os desempregados (mesmo com crianças a sustentar!). Mas já há verbas para pagar os bancos que vão à falência, mas cujos donos têm verbas nesses offshores. Vamos continuar a aceitar isso? Não vão ser tomadas medidas?

No meio disto tudo não esquecer a quantidade e ex- governantes que, depois de saírem dos governos, se tornarem “banqueiros”. As contas apontam para um número perto dos 100…

Voltemos ao início: o convidado Draghi não “assistiu” ao Conselho de Estado. O convidado Draghi atreveu-se a ingerir na vida democrática do país e sugerir revisão da Constituição, para que se possa tomar mais medidas restritivas! Ora, o que se estava à espera, certo? E quem o convidou? Quem quer continuar a frisar que estamos numa situação frágil, não? Sem o dizer claramente, claro.

E será que o novo Ministro da Cultura não é homem oferecer pancada? Irá desempenhar o seu papel de uma forma mais consensual? E ser consensual é bom? Qual será a sua ideia de cultura para Portugal?

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