O teatro é uma espécie de parente pobre das letras e das artes – embora outros sectores se possam queixar do mesmo, pois o apoio institucional proporcionado pelo poder a cada um deles, é sempre insuficiente. Porém, os grupos de teatro vivem momentos de uma carência de meios literalmente dramática. Digamos que, numa família de gente pobre, o teatro é o parente paupérrimo. Falemos de teatro.
Vamos ver o que o novo ministro da Cultura faz para remediar uma situação verdadeiramente insustentável. Luís Filipe Castro Mendes, além de diplomata, é um poeta, um ficcionista, um articulista que revela nos seus trabalhos uma sensibilidade que pode ser de grande importância no desempenho das suas funções. A João Soares, que é também um homem ligado à cultura, um ex-editor, pedimos a definição de uma política do livro, fomentando o gosto pela leitura nas camadas jovens e promovendo a edição de obras que, não sendo de fácil escoamento comercial, mereçam ser editadas, com pequenas tiragens que a rede nacional de bibliotecas e outras instituições culturais absorvam – o circuito comercial está viciado, inflacionado – o caminho entre o autor e o leitor é um percurso tortuoso. O teatro constitui um meio de servir a cultura que implica um contacto humano que nenhuma outra forma de comunicação artística possui. Antes que nos esqueçamos, hoje é um dia especial para o teatro – lamenta-se a morte, ocorrida ontem, de Francisco Nicholson e celebra-se o 110º aniversário do nascimento do grande dramaturgo irlandês Samuel Beckett. Nascido em Dublin em 13 de Abril dee 1906 (m, Paris em 22 de Dezembro de 1989)-. Prémio Nobel da Literatura de 1969, foi autor de obras de grande impacto e de elevada qualidade literária, tais como a peça À Espera de Godot, uma das mais importantes obras do chamado «teatro do absurdo».
E registamos um outro importante aniversário . o do Teatro Nacional de D.Maria II que foi inaugurado em 13 de Abril de 1846 com o drama histórico e cinco actos O Magriço e os Doze de Inglaterra, original de Jacinto Heliodoro de Aguiar Loureiro.
Criando um nexo entre esta informação dispersa, não ignoremos que o novo ministro da Cultura, nomeou um novo secretário de Estado. Miguel Honrado, presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional de D. Maria II, vai substituir Isabel Botelho.
Vejamos se ministro e administrador não deixam o livro, o teatro e a cultura em geral «à espera de Godot».

Parabéns “Tocaio”. Texto primoroso. Que inveja!