EDITORIAL  – O MUNDO QUE (NÃO) VEMOS

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Todos os dias, lendo os jornais, vendo a televisão, ouvindo a rádio, etc., recebemos notícias sensacionais, de grande impacto. Mas algumas, como no caso dos papéis do Panamá, são realmente chocantes, mas não trazem grandes novidades. Qualquer pessoa minimamente informada sabe da existência de offshores e dos prejuízos que a sua existência acarreta para a economia das nações e para a vida dos cidadãos. É verdade que estas notícias, de que é um exemplo o artigo de José Vítor Malheiros saído no Público de anteontem, 12 de Abril, (ver  primeiro link abaixo) mantêm-nos alerta, e ajudam-nos a perceber melhor o problema. Contudo, a grande pergunta, depois de tantos anos a falar-se dos offshores, de fuga ao fisco, e relacionados,  com um mínimo de racionalidade, tem de ser: porque é que não acabam com os offshores? Uma resposta óbvia é: porque quem poderia fazê-lo não quer. Mas aqui as notícias já não são tão esclarecedoras. Fala-se de políticos que prometeram e não cumpriram, de outros que nem isso, de grandes interesses. É bom falar-se dos assuntos, mas melhor ainda esclarecê-los e resolvê-los. Porque não acabam os offshores? Esta é a grande questão.

Este caso é muito grave, mas mais ainda são, sem dúvida, os “esquecimentos” e o nevoeiro informativo que pairam sobre assuntos que constituem violentíssimas violações dos direitos humanos, que se podem agravar ainda mais a qualquer momento, degenerando em catástrofes e atrocidades, com grande número de vítimas, como tem acontecido tantas vezes ao longo da história, e vão acontecendo constantemente ao longo destes “casos” e de outros. Um exemplo é o da expulsão dos palestinianos dos territórios de onde são originários, devido ao expansionismo do estado sionista, processo que dura praticamente desde a Segunda Guerra Mundial. Periodicamente, temos conhecimento da construção de mais colonatos e de mais infra-estruturas em territórios onde vivem palestinianos, e de os protestos serem esmagados com uso de força desmedida, e com apoio de grandes barragens de propaganda. Outro caso, de dimensão cada vez maior, que se teme que esteja apenas no começo, é dos refugiados que demandam a Europa, procurando atravessar o Mediterrâneo e por outras vias. Após um curto período em que alguns líderes europeus apareceram a invocar grandes princípios de solidariedade para com as vítimas dos conflitos que se têm ateado em várias zonas da África e da Ásia, nos quais inclusive esses líderes têm grandes responsabilidades, a tendência generalizada mudou rapidamente, no sentido de levantar obstáculos á sua entrada nos seus países, firmando mesmo um acordo com a Turquia, cujo cumprimento levanta sérias dúvidas.

Sobre estes casos e outros também muito graves têm sido dadas inumeráveis informações, que por vezes aparecem numa avalanche difícil de assimilar por grande parte dos cidadãos, das pessoas que têm o seu dia a dia absorvido por tarefas imprescindíveis à sua sobrevivência e das suas famílias. Essa avalanche é um obstáculo à compreensão do que se passa. Os governantes, os responsáveis pela comunicação social e os seus agentes têm a obrigação de assegurar essa compreensão, removendo os obstáculos e clarificando os seus actos, dentro de um espírito de cumprimento de regras democráticas e respeito pelos direitos humanos.

Propomos que cliquem nos links seguintes:

https://www.publico.pt/opiniao/noticia/os-paraisos-fiscais-so-servem-para-fugir-ao-fisco-e-a-justica-1728764

http://www.theguardian.com/world/2016/apr/13/israeli-expansionism-is-key-driver-of-violence

http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-03-21-Biden-critica-expansao-dos-colonatos-israelitas-nos-territorios-palestinianos

http://www.infogrecia.net/2016/04/voluntarios-queixam-perseguicao-policial-idomeni/

https://aviagemdosargonautas.net/2016/03/28/editorial-os-buracos-mal-tapados-da-uniao-europeia/

https://aviagemdosargonautas.net/2016/04/04/mundo-cao-a-europa-a-merce-de-um-padrinho-do-terrorismo-por-jose-goulao/

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