EDITORIAL – OS BURACOS MAL TAPADOS DA UNIÃO EUROPEIA

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O recente acordo entre a UE  e a Turquia foi feito à custa dos refugiados: os líderes europeus, temendo as repercussões na vida interna dos seus países (e no seu próprio futuro político) da vinda em massa de tanta gente, resolveram negociar um acordo com o governo turco para que este aceite a devolução de todos os emigrantes ilegais. Em troca, a Turquia poderá, por cada migrante ilegal devolvido, enviar um considerado como tendo a sua situação em regra (esta regra só se aplica aos sírios, se bem estamos a interpretar o texto a que podem aceder pelo segundo link abaixo. E os restantes?). Entretanto obtém que os seus cidadãos possam circular livremente no espaço Schengen e que o processo da sua admissão na UE seja “agilizado”.

A aplicação deste acordo vai ser muito problemática, e os problemas, sobretudo para o lado dos mais fracos, portanto para o lado dos refugiados, vão ser ainda maiores. Mas quanto às autoridades europeias em si, há que chamar a atenção para a mudança de atitude em relação à Turquia. A sua admissão na UE tinha sido praticamente posta de parte, sob vários pretextos, incluindo o de não ter uma matriz cristã na sua origem. Neste momento, sob o peso dos acontecimentos, a posição parece estar a conhecer uma viragem. Mas será de temer, por parte da Turquia, e não só, que redobrem os processos expeditos (eufemismos para brutais) em relação aos migrantes/refugiados.

No rescaldo dos atentados terroristas tem-se falado da insuficiência da UE em termos de segurança. Trata-se de outra matéria extremamente complexa, que já tem sido abordada no passado, mas que tem ficado na sombra, devido à prioridade dada às questões financeiras, nos termos que são geralmente conhecidos. Por outro lado, a constituição de um exército europeu, sob um comando comum, levanta reticências dos vários países. Neste assunto, a liderança dos Estados Unidos, através da NATO ou por outras vias, vem sempre à baila.  E é duvidoso que a superpotência veja com bons olhos a constituição de forças armadas europeias, que poderiam ser um símbolo de uma maior autonomia europeia. Também os estados-maiores (entendamos a expressão em sentido lato) das forças armadas das várias potências europeias, a começar pelas que dispõem de armas nucleares, se sentirão pouco à vontade neste assunto. E o mesmo se passa, noutra dimensão, no que respeita a serviços secretos, policias e outros serviços de segurança, como seria por exemplo uma guarda costeira que pudesse ter uma actuação eficaz e equilibrada no Mediterrâneo. É verdade que existe a Europol. Mas esta não parece ter nem meios nem preparação, ainda que num grau mínimo, para intervir numa questão com a dimensão da dos refugiados.

 

http://www.euronews.com/2016/03/24/eu-turkey-refugee-deal-what-s-next/

http://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2016/03/18-eu-turkey-statement/

http://www.vox.com/2016/3/23/11291612/eu-greece-refugee-inhumane

 

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