NOVO RELATÓRIO DA UNICEF SOBRE O AUMENTO DAS DESIGUALDADES NA VIDA DAS CRIANÇAS por Clara Castilho

Innocenti Report Card 13, Fairness for Children: A league table of inequality in child well-being in rich countries (Equidade para as crianças: Uma tabela classificativa das desigualdades de bem-estar das crianças nos países ricos) classifica 41 países da UE e da OCDE, incluindo Portugal, segundo o fosso que separa as crianças que se encontram na base da tabela da distribuição e as que se situam a meio. O relatório analisa as disparidades em termos de rendimento, desempenho escolar, e problemas de saúde e satisfação com a vida reportados pelas próprias crianças.

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A Dinamarca está no topo da tabela de síntese com a menor desigualdade entre as crianças. Israel está em último lugar em todos as áreas.

Em 19 dos 41 países para os quais existem dados, mais de 10 por cento das crianças vivem em agregados familiares com menos de metade da mediana do rendimento.

Se, por um lado, as desigualdades relativamente a problemas de saúde reportados pelas crianças aumentaram em quase todos os países entre 2002 e 2014, no que diz respeito à actividade física e a uma alimentação saudável as desigualdades diminuíram na maioria dos países.

As desigualdades na base da distribuição quanto ao domínio da leitura também diminuíram na maioria dos países.

Quando as crianças classificam a sua satisfação com a vida numa escala de 1 – 10, a pontuação mediana é 8, porém, as crianças que estão no ponto mais baixo da distribuição ficam a uma distância muito grande dos seus pares. Em todos os países, as raparigas entre os 13 e os 15 anos manifestam uma menor satisfação com a vida do que os rapazes.

A fim de melhorar o bem-estar das crianças, o Innocenti Report Card 13 propõe aos governos que considerem como prioritário:

• Proteger os rendimentos dos agregados familiares das crianças mais pobres.
• Promover o sucesso escolar das crianças mais desfavorecidas.
• Promover e apoiar estilos de vida saudáveis para todas as crianças.
• Tomar seriamente em conta o bem-estar subjectivo.
• Colocar a equidade no centro das agendas relativas ao bem-estar das crianças.

“O Report Card mostra de forma clara que o bem-estar das crianças em qualquer país não é uma consequência inevitável de circunstâncias individuais ou do nível de desenvolvimento económico, mas é moldado por escolhas políticas,” afirmou a Dr.ª Sarah Cook, Directora do Centro de Investigação – Innocenti da UNICEF. “À medida que percebemos melhor o impacto que as disparidades têm a longo prazo, torna-se cada vez mais claro que os governos devem dar prioridade à melhoria do bem-estar de todas as crianças no presente, e proporcionar-lhes oportunidades para que possam desenvolver todo o seu potencial.”

Outras conclusões importantes do relatório:
• Dois dos países mais ricos do mundo, o Japão e os Estados Unidos, surgem no terceiro lugar a contar do fundo da tabela no que diz respeito às disparidades de rendimento. Em ambos os países, o rendimento do agregado familiar de uma criança no percentil 10 é aproximadamente 40 por cento do de uma criança que se situa a meio da distribuição de rendimentos.
• Apenas a Espanha e os Estados Unidos melhoraram nos quatro indicadores de saúde desde 2002.
• Apenas quatro países – Estónia, Irlanda, Letónia e Polónia – conseguiram reduzir as desigualdades na educação e simultaneamente permitir que menos crianças ficassem abaixo dos padrões mínimos de competências.
• Em sete dos 10 países onde foram recolhidos dados sobre o país de origem das crianças, o grau de satisfação com a vida é menor entre as crianças migrantes.

Todo o relatório em: https://www.unicef-irc.org/publications/833/

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