Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Lord Mervyn King: porque é que despejar dinheiro sobre o pânico financeiro nos levará a uma nova crise
Mervyn King, Lord Mervyn King: why throwing money at financial panic will lead us into a new crisis
The Telegraph, 27 de Fevereiro de 2016

Estes últimos 20 anos no mundo moderno foram o melhor e o pior dos tempos .
Era um conto de duas épocas – no primeiro havia crescimento e estabilidade, seguido no segundo pela pior crise bancária que o mundo industrializado já testemunhou. Os maiores bancos dos maiores centros financeiros do mundo avançado falharam, provocando um colapso mundial de confiança e provocando a mais profunda recessão desde a década de 1930. Como é que isso aconteceu? Foi uma falha dos indivíduos, ideias ou instituições?
A não ser que nos viremos para as causas subjacentes nunca iremos entender o que aconteceu e não se será capaz de impedir a repetição e ajudar as nossas economias a verdadeiramente recuperarem.
A crise foi uma falha de um sistema e das ideias que estiveram na sua base, não dos políticos e dos banqueiros individualmente.
Na primavera de 2011 estava em Pequim para me reunir com um alto quadro do Banco Central da China . Durante o jantar na Diaoyutai State Guesthouse, onde antes estivemos a jogar ténis , falamos sobre as lições da história em face dos desafios que enfrentamos, o mais importante dos quais é a forma de refazer a economia mundial após o colapso do sistema bancário ocidental em 2008 .
Tendo em conta a resposta apócrifa de Primeiro Chou en Lai sobre a questão de que significado se podia atribuir à Revolução Francesa ( de que era ainda “muito cedo para falar nisso “), eu perguntei ao meu colega chinês que importância estava ele agora a dar à Revolução Industrial na Grã-Bretanha, na segunda metade do século XVIII.
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Porque é que esse colapso do mercado é como qualquer coisa que o mundo nunca viu até agora
Ele pensou um bom bocado. Em seguida, respondeu-me: “Nós, na China aprendemos muito com o Ocidente sobre como é que a concorrência e uma economia de mercado apoia a industrialização e leva a criar padrões de vida mais elevados. Queremos imitá-la.”
Depois veio a ferroada quando ele continuou : ” Mas não penso que vocês já tenham chegado ao limite na banca e na finança .”
Esta observação foi a inspiração para este livro.
Desde a crise, muitos terão sido tentados a jogar o jogo de decidir quem é o culpado por um resultado tão desastroso.
Mas culpar os indivíduos é contraproducente – isto condu-los a pensar que, se apenas alguns, ou na verdade, muitos, desses indivíduos fossem punidos, então, depois disso, nunca se voltaria a ter novamente uma crise . Se isto fosse assim tão simples
A crise foi uma falha de um sistema e das ideias que o têm sustentado, não de políticos ou banqueiros individuais, incompetentes e gananciosos, embora alguns deles, sem dúvida, são responsáveis. Houve um mal-entendido geral de como funcionava a economia mundial.
Cinco maneiras de detectar o próximo colapso financeiro. Ver link:
(continua)
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