EDITORIAL – A POLÍTICA NÃO É PARA AMIGOS

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Há horas atrás, no Brasil, foi aprovado pelos deputados o “impeachment” de Dilma Rousseff, suspendendo-a do exercício do cargo de presidente da república. Não vamos debruçar-nos, neste momento, sobre a situação em que vai ficar o Brasil após este processo, o que já tem sido alvo de muitas previsões e especulações. Reconhecemos desde já que esse é que é o problema maior, mas é também partindo desse reconhecimento que escrevemos as linhas que se seguem, daqui deste lado do mar. Mas sempre reconhecendo que é aos brasileiros que acabe traçar e decidir o seu futuro.

Neste momento diremos apenas que as perspectivas são muito, muito pouco favoráveis. É verdade que muita gente concorda que Dilma não estava a governar bem, mas também é do conhecimento geral que as teses de que o processo de “impeachment” se justificaria por umas (assim chamadas) “pedaladas” fiscais parecem não ter fundamentação, nem no campo judicial, nem no campo político. Já foi referido por diversas vezes que sobre Dilma Rousseff não pesa qualquer acusação de corrupção, ao contrário de muitos dos proponentes do seu afastamento.  Não estaremos então perante um caso em que os corruptos afastam quem não colabora com eles? Perdoem os brasileiros a quem deste lado do mar levanta esta dúvida.

Tem de se reconhecer que um grave erro da presidente agora suspensa foi sem dúvida querer incluir o seu antecessor Lula da Silva no seu governo e na sua casa civil. Tamanho erro deu fortes argumentos aos seus inimigos. Dilma Rousseff terá governado tentando pôr em prática políticas que não eram as suas, o que colocou contra elas muitos que, em princípio, estariam do seu lado. E para cúmulo a sua abertura em relação a Lula abriu caminho a uma acusação de que o estaria a tentar proteger de acusações de corrupção, isto apesar de estas, ao que julgamos saber, também não estarem provadas. Mas assim abriu caminho a uma campanha de notícias e acusações, que contribuiu enormemente para a sua fragilização.

A amizade e a camaradagem terão sem dúvida jogado um papel importante nesta situação. São sentimentos elevados, de carácter muito subjectivo, e as maneiras de se expressarem variam de pessoa para pessoa. Assim, dificilmente poderão servir de regra para assuntos de estado. Aqui seja permitida uma comparação. Quando ouvimos António Costa, ao responder a uma pergunta sobre a justificação da nomeação de Diogo Lacerda Machado, referir  que é o seu melhor amigo, é verdade que em circunstâncias bastante diferentes, tememos contudo estar perante outro erro grave.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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