CONTOS&CRÓNICAS- SONHO DUM DIA DE PRIMAVERA-por Pedro Godinho

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Com aquela alvorada a cidade acordou livre.

Era o fim dum pesadelo e do mal.

Voltava a ser possível sonhar e o sonho podia ser realidade. A partir de então, tudo se tornava possível.

Viveu-se toda uma vida nova, em poucos meses – como nenhuns outros.

O tempo tanto parecia infindável como passar num ápice, e o espaço tinha o tamanho da nossa liberdade.

Assentou o pó, a liberdade tornou-se tão banal que alguns não entendem o seu valor e quão difícil é (re)ganhá-la quando perdida. Também essa banalidade e transparência da liberdade do dia a dia é uma vitória daquele dia.

O 25 de Abril é o meu sonho de eleição. (Até das Forças Armadas me fez gostar.) Com ele tudo começou. Quem não o viveu nunca perceberá, inteiramente, o que perdeu; quem o viveu conheceu o sabor da felicidade.

O 25 de Abril foi, verdadeiramente, “o primeiro dia do resto da minha vida”.

Não há outro como o 25!… esse é o lado triste.

 

Quadro de Dorindo Carvalho, escolha musical de Lídia Rocha

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