
Com aquela alvorada a cidade acordou livre.
Era o fim dum pesadelo e do mal.
Voltava a ser possível sonhar e o sonho podia ser realidade. A partir de então, tudo se tornava possível.
Viveu-se toda uma vida nova, em poucos meses – como nenhuns outros.
O tempo tanto parecia infindável como passar num ápice, e o espaço tinha o tamanho da nossa liberdade.
Assentou o pó, a liberdade tornou-se tão banal que alguns não entendem o seu valor e quão difícil é (re)ganhá-la quando perdida. Também essa banalidade e transparência da liberdade do dia a dia é uma vitória daquele dia.
O 25 de Abril é o meu sonho de eleição. (Até das Forças Armadas me fez gostar.) Com ele tudo começou. Quem não o viveu nunca perceberá, inteiramente, o que perdeu; quem o viveu conheceu o sabor da felicidade.
O 25 de Abril foi, verdadeiramente, “o primeiro dia do resto da minha vida”.
Não há outro como o 25!… esse é o lado triste.
Quadro de Dorindo Carvalho, escolha musical de Lídia Rocha
